
O Ministério Público do Estado do Amazonas instaurou um procedimento administrativo, que tramita sob sigilo, para apurar as circunstâncias do acidente de trânsito que resultou na morte de Lucas Gomes da Silva, de 28 anos, funcionário da Caixa Econômica Federal, no município de Barreirinha, no Baixo Amazonas. A colisão ocorreu na noite do dia 4 deste mês, em um cruzamento da área urbana da cidade, e passou a ser cercada por questionamentos e denúncias feitas pela família da vítima.
O procedimento foi instaurado pela promotora de Justiça Anne Caroline Amaral de Lima. Procurado, o MP informou, por meio da assessoria de imprensa, que a apuração está em andamento e corre sob sigilo, o que impede manifestações públicas sobre o conteúdo ou o estágio das investigações.
O acidente aconteceu por volta das 22h30, no cruzamento das ruas São Geraldo e Coronel Domingos Dutra, quando a motocicleta conduzida por Lucas colidiu com uma Saveiro Cross branca. No veículo estavam Mariah Seixas Taveira, filha do prefeito do município, Darlan Taveira, e Vitória Paiva Lemos, cunhada do chefe do Executivo local, que dirigia a picape.
Vitória Lemos afirmou, em declaração à imprensa local, que não havia ingerido bebida alcoólica e que reduziu a velocidade ao se aproximar do cruzamento. Segundo ela, o impacto ocorreu de forma repentina, fazendo com que o veículo saísse da pista. A motorista relatou ainda que sofreu ferimentos no rosto e precisou de atendimento médico, mas disse ter priorizado o socorro ao motociclista.
Apesar da versão apresentada, a família de Lucas afirma que uma série de episódios posteriores ao acidente comprometeu a transparência da apuração. Um dos pontos mais questionados é a retirada do veículo do local da colisão por uma retroescavadeira vinculada à Prefeitura de Barreirinha, antes da chegada da polícia e sem autorização formal. Segundo os familiares, a medida alterou completamente a cena e pode ter inviabilizado uma perícia técnica adequada.
Outro aspecto apontado como grave foi a forma como a família tomou conhecimento da morte. Ao tentar contato com Lucas pelo celular, um policial militar atendeu e comunicou o óbito. Mesmo após informar que se deslocaria até o município para o reconhecimento do corpo, os familiares afirmam que o corpo foi liberado do hospital e transportado de lancha para Parintins durante a madrugada, sem autorização ou ciência da família.
De acordo com as irmãs da vítima, Patrícia e Luana Gomes da Silva, não houve reconhecimento formal do corpo nem apresentação de documentação legal no momento da remoção. Em Parintins, a família foi informada de que a perícia ainda não havia sido realizada, e o corpo teria sido entregue diretamente a uma funerária. A Declaração de Óbito, segundo elas, só foi emitida dias depois, quando o sepultamento já estava prestes a ocorrer.
Na tentativa de obter esclarecimentos, as irmãs retornaram a Barreirinha e identificaram a existência de câmeras de segurança próximas ao local do acidente. Embora moradores tenham informado que as imagens já teriam sido entregues à polícia, o acesso ao material foi negado à família. Elas também relataram dificuldades para registrar um novo boletim de ocorrência, afirmando que o primeiro registro atribuiu a responsabilidade exclusivamente à vítima, mesmo sem conclusão pericial.
Relatos de moradores indicam ainda que testemunhas demonstram receio em prestar depoimento. A presença de autoridades municipais no local do acidente, registrada em vídeo, também é citada pela família como elemento que reforça a necessidade de uma apuração rigorosa e independente.
Para os familiares, o conjunto de fatos levanta dúvidas sobre a condução inicial do caso. Eles defendem que a investigação conduzida pelo Ministério Público esclareça todos os pontos e assegure a responsabilização, caso irregularidades sejam confirmadas.







