
Uma diligência do Ministério Público do Amazonas (MPAM) expôs um cenário crítico no lixão a céu aberto de Iranduba, localizado no Ramal do Creuza. Durante a visita técnica realizada na manhã desta quinta-feira (29), representantes do órgão constataram degradação ambiental, condições insalubres de trabalho e riscos à saúde pública, agravados pela ausência de controle na destinação dos resíduos.
A vistoria contou com a presença de moradores da região, que relataram impactos diretos no cotidiano das comunidades próximas. O promotor de Justiça de Iranduba, Gérson de Castro Coelho, afirmou que a interdição do lixão é uma possibilidade, mas alertou que a medida precisa vir acompanhada de uma solução imediata para onde o lixo do município será encaminhado.
“Interditar é uma possibilidade, mas precisamos resolver simultaneamente a destinação dos resíduos. Caso contrário, criamos outro problema, já que o volume diário de lixo é elevado”, afirmou o promotor.
Laudos técnicos e próximos passos
Sem anunciar medidas emergenciais no local, o MPAM informou que irá solicitar laudos técnicos ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e à Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Iranduba. Os documentos devem embasar eventuais providências judiciais, incluindo a discussão sobre interdição e alternativas ambientalmente adequadas para o tratamento dos resíduos sólidos.
Moradores do Ramal do Creuza e de áreas vizinhas relataram ao MPAM que o descarte irregular já provoca danos ambientais visíveis. O principal temor é a contaminação do Igarapé do Papagaio, cujas nascentes estariam sendo atingidas pelo chorume que escorre do lixão, sobretudo durante o período de chuvas.
Há ainda preocupação com o uso da água do Balneário Sagui-Mirim e com a possível contaminação do lençol freático. “O mau cheiro é constante e piora quando chove. Joga-se de tudo aqui, sem qualquer controle”, relatou um morador que vive há mais de duas décadas na região.
O MPAM deve consolidar as informações colhidas na vistoria e nos laudos técnicos para definir os próximos encaminhamentos, enquanto a população cobra respostas concretas para um problema que se arrasta há anos.







