
O processo de estruturação do empréstimo que pode garantir maior estabilidade financeira ao Banco de Brasília (BRB) enfrenta novos desafios. Instituições financeiras interessadas em participar do consórcio responsável por assegurar a operação defendem uma remuneração mais elevada pelas garantias oferecidas, gerando divergências nas negociações.
Segundo informações divulgadas pelo colunista Julio Wiziack, do UOL Economia, os bancos avaliam as condições financeiras antes de assumir compromissos de longo prazo relacionados ao financiamento.
XP e Banco ABC demonstram interesse
Até o momento, XP e Banco ABC manifestaram interesse em integrar a estrutura de garantias que dará suporte ao empréstimo de R$ 5 bilhões previamente acertado com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Além disso, o BRB poderá receber até R$ 6,6 bilhões em novos aportes do Governo do Distrito Federal, controlador da instituição.
Taxa de juros é principal ponto de conflito
O principal impasse nas negociações envolve a remuneração das garantias fornecidas pelos bancos participantes.
De acordo com fontes ligadas às tratativas, as instituições financeiras defendem uma taxa mínima de 4% ao ano. Já o BRB trabalha com uma proposta entre 2% e 3% ao ano.
A definição é considerada crucial porque as garantias permanecerão vinculadas à operação por até 15 anos, prazo previsto para a quitação do financiamento junto ao FGC.
Projeto de lei busca reforçar segurança jurídica
Outro tema que vinha preocupando os potenciais participantes do consórcio era a segurança jurídica dos recursos que servirão como garantia da operação.
Para enfrentar essa questão, o Governo do Distrito Federal encaminhou um projeto de lei à Câmara Legislativa do DF. A proposta busca assegurar que os bancos possam acessar os recursos vinculados às garantias caso o BRB deixe de cumprir alguma obrigação do contrato.
As garantias estarão lastreadas em receitas provenientes do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), repasses constitucionais destinados ao Distrito Federal.
Governo tenta ampliar participação de bancos
A governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão (PP), trabalha para ampliar o número de instituições participantes do consórcio garantidor.
A expectativa é atrair grandes bancos como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Santander e BTG Pactual para a estrutura da operação.
Segundo pessoas que acompanham as negociações, Celina também pretende apresentar um novo plano de negócios para o BRB, com foco em aumentar a confiança dos agentes financeiros.
Estratégia prevê foco no Distrito Federal
O novo planejamento estratégico do banco prevê o abandono da política de expansão nacional adotada nos últimos anos.
A proposta é concentrar as operações prioritariamente no Distrito Federal, buscando fortalecer a sustentabilidade financeira da instituição e oferecer maior previsibilidade aos investidores e participantes do consórcio.
Procuradas pela reportagem original, a XP informou que não comentaria o assunto. O Banco ABC e o BRB não se manifestaram até a publicação da matéria.







