
Pesquisadores descobriram que uma proteína chamada otulin desempenha um papel muito mais significativo no cérebro do que se imaginava, abrindo uma nova e promissora frente de investigação para o tratamento de doenças como o Alzheimer.
Segundo um estudo publicado em novembro de 2025 na revista científica Genomic Psychiatry, a otulin ajuda a controlar a produção da proteína tau, um componente-chave no desenvolvimento de diversas demências.
A Relação entre as Proteínas Tau e Otulin
A proteína tau é fundamental para a saúde dos neurônios. No entanto, ela se torna um problema quando sofre alterações químicas e começa a se acumular, formando emaranhados tóxicos dentro das células cerebrais — uma das principais características do Alzheimer.
A nova pesquisa revela que a otulin atua antes que esse acúmulo tóxico ocorra. Ela interfere diretamente no processo que leva à produção da tau, agindo no nível do material genético da célula.
Como o Estudo Foi Realizado?
Os cientistas analisaram neurônios cultivados em laboratório, incluindo células de um paciente com Alzheimer. Eles utilizaram duas abordagens principais para entender o papel da otulin:
- Bloqueio Parcial: Usaram uma molécula chamada UC495 para inibir parcialmente a ação da otulin.
- Remoção Completa: Utilizaram a técnica de edição genética CRISPR-Cas9 para remover totalmente o gene responsável pela produção da otulin.
Os resultados foram surpreendentes:
- Com o bloqueio parcial, os neurônios produziram menos da forma alterada e tóxica da proteína tau.
- Com a remoção completa do gene da otulin, os neurônios pararam completamente de produzir a proteína tau e até mesmo o seu RNA mensageiro (a “receita” genética para sua fabricação). Curiosamente, as células permaneceram vivas no curto prazo, mesmo sem a tau.
Um Papel Mais Amplo no Cérebro
Até então, a otulin era conhecida por seu papel na regulação de processos inflamatórios e de “reciclagem” celular. O estudo mostrou que ela também funciona como uma reguladora da atividade genética nos neurônios.
Quando a otulin foi removida, a atividade de milhares de outros genes e moléculas de RNA diminuiu drasticamente. Isso indica que seu impacto vai muito além da proteína tau, participando do controle de vastas redes de funcionamento do cérebro.
O Que Isso Significa para o Futuro do Tratamento?
Esta descoberta aponta para uma estratégia terapêutica radicalmente diferente das atuais. Em vez de tentar eliminar a proteína tau depois que ela já se acumulou, o novo foco seria impedir sua produção desde o início, modulando a ação da otulin.
Isso poderia levar a tratamentos que atuem preventivamente, antes que os danos cerebrais se instalem.
No entanto, os próprios autores do estudo alertam que o caminho é longo e complexo. Como a otulin tem múltiplas funções vitais no corpo, qualquer terapia futura precisará ser extremamente precisa e controlada para evitar efeitos colaterais graves.
Próximos passos da pesquisa incluem:
- Avaliar os efeitos da modulação da otulin a longo prazo.
- Testar os resultados em modelos animais.
- Investigar se variações naturais na proteína otulin em humanos influenciam o risco de desenvolver Alzheimer.
Com informações de Metrópoles







