
O número de novos casos de demência registrados anualmente no mundo poderá aumentar de 11,4 milhões, em 2023, para 24,7 milhões até 2050. A projeção faz parte de um estudo internacional publicado nesta segunda-feira (12/10) na revista científica JAMA Neurology.
A pesquisa identificou diferenças na incidência da doença entre homens e mulheres e entre países de diferentes níveis de renda. Os resultados indicam taxas mais elevadas entre mulheres e moradores de nações de baixa e média renda.
O levantamento foi conduzido por pesquisadores do Centro para o Envelhecimento Cerebral Saudável (CHeBA), da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, em parceria com o Consórcio Internacional de Estudos de Coorte sobre Memória (COSMIC).
Ao todo, foram analisados dados de 38.418 participantes, provenientes de 22 estudos populacionais realizados em 18 países e territórios de seis continentes. Durante o acompanhamento, que totalizou mais de 287 mil pessoas-ano, 3.001 participantes desenvolveram demência.
Mulheres e países de menor renda apresentam maior incidência
Após ajustes estatísticos por idade, a incidência de demência entre mulheres foi de 10,6 novos casos por mil pessoas-ano, enquanto entre homens a taxa ficou em 8,6.
Os pesquisadores ressaltam que os resultados não permitem determinar as causas dessa diferença. Fatores sociais, econômicos, educacionais, ambientais e relacionados à saúde podem contribuir para as desigualdades observadas.
A comparação entre países também revelou diferenças. Nas nações de baixa e média renda, a incidência padronizada chegou a 13,6 casos por mil pessoas-ano, contra 8,3 nos países de alta renda.
Segundo os autores, os resultados reforçam a necessidade de ampliar estratégias de prevenção, diagnóstico e assistência, especialmente em regiões que enfrentam o envelhecimento populacional e possuem recursos limitados para os serviços de saúde.
A pesquisadora Ashleigh Vella, principal autora do estudo, destacou que a utilização de uma metodologia estatística comum permite comparar diferentes populações e identificar grupos com maior incidência da doença.
Projeções reforçam necessidade de ampliar prevenção e diagnóstico
Atualmente, mais de 57 milhões de pessoas vivem com demência em todo o mundo, segundo estimativas citadas pelos pesquisadores. Estudos anteriores indicam que esse total poderá alcançar aproximadamente 150 milhões até 2050.
Os especialistas explicam que os números representam indicadores diferentes. A incidência corresponde à quantidade de novos diagnósticos registrados durante determinado período, enquanto a prevalência representa o total de pessoas que vivem com a condição em um momento específico.
O pesquisador Henry Brodaty, codiretor do CHeBA e coautor do estudo, defendeu o fortalecimento de políticas de prevenção voltadas aos fatores de risco modificáveis, além da ampliação do acesso ao diagnóstico e ao tratamento.
Apesar da abrangência internacional, os autores reconhecem limitações na disponibilidade de dados. Dos 18 países e territórios analisados, apenas seis pertenciam ao grupo de baixa e média renda.
Por isso, os pesquisadores recomendam a realização de novos estudos populacionais para compreender melhor as diferenças regionais e orientar o planejamento dos serviços de saúde diante do crescimento esperado dos casos de demência.
Com informações de Metrópoles







