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Três novos casos de ebola foram confirmados neste sábado (23/5) em Uganda, elevando para cinco o total de infecções no país desde 15 de maio. A doença, ligada à epidemia no leste da República Democrática do Congo, preocupa a OMS pelo risco “muito elevado” de expansão.

Sem vacina específica para a cepa atual, autoridades reforçam o monitoramento de contatos enquanto cientistas aceleram estudos para tratamentos e respostas à crise sanitária.

O Ministério da Saúde de Uganda informou que o total de infecções no país chegou a cinco desde a confirmação oficial da presença do vírus em 15 de maio. Na ocasião, dois casos haviam sido detectados, incluindo uma morte.

As autoridades detalharam que os novos pacientes são um motorista ugandense que havia transportado o primeiro caso confirmado no país e uma profissional de saúde contaminada durante o atendimento prestado a esse paciente. Ambos estão atualmente em tratamento.

O terceiro caso recém-confirmado envolve uma mulher congolesa que chegou ao país por via aérea, o que reforça o papel da mobilidade na disseminação da doença em uma região com intensa circulação transfronteiriça.

De acordo com o governo ugandense, todas as pessoas que tiveram contato com os infectados foram identificadas e estão sob monitoramento contínuo, com o objetivo de interromper cadeias de transmissão.

A OMS mantém uma mobilização internacional diante do avanço da epidemia, que se concentra principalmente no leste da RDC, área marcada por desafios históricos de infraestrutura de saúde e segurança.

Interrupção de transporte e vigilância ampliada

Como medida preventiva, Uganda suspendeu na quinta-feira (21/5) todos os transportes públicos com destino à RDC, buscando conter a entrada de novos casos importados.

A decisão reflete a preocupação com a rapidez da propagação do vírus em países com fronteiras extensas e de difícil controle.

Na RDC, onde vivem cerca de 100 milhões de pessoas, há quase 750 casos suspeitos e 177 mortes também suspeitas associadas ao ebola, segundo dados divulgados na sexta-feira (22/5) pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Segundo o dirigente, a doença “se propaga rapidamente”, o que eleva a urgência de respostas coordenadas entre autoridades nacionais, organismos internacionais e organizações humanitárias.

A atual epidemia é causada por uma variante do vírus conhecida como cepa Bundibugyo, menos comum do que a variante Zaire, historicamente responsável pelos surtos mais letais.

A ausência de vacina específica e de tratamento plenamente aprovado para essa cepa limita as ferramentas disponíveis para conter o avanço da doença, tornando medidas básicas de saúde pública ainda mais essenciais (isolamento de casos, rastreamento rigoroso de contatos e adoção de protocolos de proteção por profissionais de saúde e pela população em áreas afetadas).

Comunidade científica acelera busca por tratamentos

Diante do agravamento do cenário, a mobilização não ocorre apenas no campo sanitário, mas também na pesquisa científica internacional.

Na sexta-feira (22/5), o Consórcio de Pesquisa sobre Filovírus organizou uma reunião global de emergência em formato virtual, com apoio da OMS.

O encontro reuniu mais de 1.300 participantes e teve como objetivo fazer um levantamento das ferramentas disponíveis e definir prioridades para o desenvolvimento de respostas médicas mais eficazes.

Entre as necessidades mais urgentes está a criação de tratamentos específicos para pacientes que deverão ser internados em centros especializados de atendimento ao ebola, cuja implantação está em andamento no leste da RDC.

Especialistas apontam duas linhas principais de investigação. A primeira envolve anticorpos monoclonais, incluindo um desenvolvido por um laboratório norte-americano com financiamento do governo dos Estados Unidos.

A segunda linha considera antivirais de amplo espectro, como o remdesivir, já aprovado para o tratamento da Covid-19 e produzido pela farmacêutica Gilead.

Segundo Julien Potet, responsável por vacinas na organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), ainda serão necessárias semanas de coordenação antes da definição de protocolos clínicos rigorosos e amplamente aceitos para testar essas alternativas.

Desafios logísticos e acesso a tratamentos

Embora o avanço da pesquisa seja considerado fundamental, especialistas alertam para a necessidade de não perder de vista os desafios práticos enfrentados nas áreas afetadas pela epidemia.

Para organizações humanitárias como a MSF, a eficácia da resposta dependerá não apenas da descoberta de tratamentos e vacinas, mas também da capacidade de disponibilizá-los em condições reais de uso nos países atingidos.

Isso inclui a definição de modelos de financiamento e produção que garantam acesso em larga escala, com preços compatíveis com a realidade econômica da região.

O histórico de epidemias anteriores demonstra que a disponibilidade de medicamentos e vacinas pode ser limitada por fatores como custo, logística de distribuição e capacidade dos sistemas de saúde locais.

Nesse contexto, especialistas defendem que o planejamento econômico e operacional seja iniciado paralelamente à pesquisa científica, para evitar atrasos na resposta.

A preocupação central é assegurar que, uma vez comprovada a eficácia de novas ferramentas médicas, elas possam ser rapidamente implementadas no combate à doença em áreas vulneráveis.

Com informações do Metrópoles.

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