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A divulgação dos resultados de laudos complementares sobre a morte da soldado Gisele Alves Santana está prevista para esta segunda-feira (16/3), de acordo com fontes que acompanham o caso.

A policial militar foi encontrada com um tiro na cabeça, em 18 de fevereiro, na sala do apartamento onde vivia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. Gisele morreu horas depois, no Hospital das Clínicas.

O caso, até o momento investigado como morte suspeita, pode mudar de natureza criminal, caso os laudos complementares indiquem que o tiro fatal contra a soldado partiu de outra pessoa.

No momento em que ela foi baleada, estavam no apartamento somente Gisele e o marido – que, desde o dia da morte, afirma que a esposa teria cometido suicídio.

O laudo que determinará a dinâmica do que ocorreu resulta da reconstituição feita no imóvel. A finalização e o compartilhamento dessa análise pericial estão previstos para as próximas horas. Outro documento já concluído, como apurou a reportagem, é o que resulta da exumação do corpo de Gisele.

O procedimento foi realizado no último dia 6, a pedido da Polícia Civil, após surgirem dúvidas sobre a versão do tenente-coronel durante a investigação. As análises complementares foram solicitadas ao Instituto Médico-Legal (IML) e à Polícia Técnico-Científica.

Marcas no pescoço

Laudos anteriores, mostrados pelo Metrópoles, indicam a presença de lesões no rosto e no pescoço da policial, compatíveis com pressão exercida por dedos e unha, conhecidas na medicina legal como “estigmas digitais”.

Segundo o laudo, havia quatro marcas arredondadas compatíveis com pressão de dedos na região da mandíbula e do pescoço, além de uma lesão superficial com formato de meia-lua, típica de unha. Em entrevista à TV Record, o oficial sugeriu que as lesões teriam sido feitas pela própria Gisele.

Em exame complementar, obtido pelo site Metrópoles, peritos reforçaram que as lesões na face e no pescoço são contundentes e compatíveis com pressão digital, ou seja, com compressão manual.

Essas marcas levantaram a hipótese de que a soldado possa ter sido esganada antes do disparo, provocando a suspeita de que ela teria desmaiado pouco antes de ser baleada.

Os peritos também encontraram o projétil alojado no couro cabeludo do lado esquerdo, após atravessar o crânio e provocar extensa fratura óssea.

Caso sob investigação

A morte de Gisele ocorreu na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento do casal, no Brás, centro da capital paulista. Segundo relatado pelo marido da vítima à Polícia Civil, ele estava no banheiro quando ouviu um barulho semelhante a um disparo e encontrou a esposa caída na sala, com a arma nas mãos.

A soldado Gisele chegou a ser levada ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois.

Com o avanço das apurações e a análise dos laudos periciais, a versão do tenente-coronel de que a esposa teria se suicidado, com um tiro na cabeça, fica mais distante do foco da Polícia Civil e da Corregedoria da PM. A ocorrência é tratada como morte suspeita.

Um inquérito policial foi instaurado para apurar as circunstâncias da morte, e um inquérito policial militar paralelo também foi aberto para investigar eventuais responsabilidades dentro da corporação.

Coronel é parte na investigação

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, marido da vítima, aparece como parte no procedimento investigativo que tramita no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), embora, até o momento, não haja acusação formal contra ele.

O caso segue em apuração e poderá, dependendo das conclusões das investigações, ser encaminhado à Vara do Júri.

Enquanto isso, os laudos periciais passaram a ocupar papel central na investigação, especialmente em relação à reconstrução da autoria do tiro e às marcas encontradas no pescoço da policial, também analisadas para esclarecer se Gisele foi vítima de violência antes do disparo que a matou.

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