Eu quero ser eu mesmo e me permitir desejar o que realmente quero. Não quero ter medo de ser julgado, nem pressa em compreender tudo; desejo apenas oferecer o que há de mais sincero em mim.

Quero que meus gestos carreguem afeto e atenção, que minhas palavras se tornem conforto e que a minha presença seja um abrigo, mesmo que pequeno, no coração de quem precisa.
Quero aprender a escutar sem interferir, a compreender sem explicar demais, a amar sem exigir, a compartilhar sem esperar retorno.

Quero que meus desejos pelos outros sejam leves, livres, sem amarras, permitindo que cada um encontre sua própria luz e siga seu próprio caminho, sabendo que há quem deseje genuinamente seu bem.
Quero cultivar dentro de mim a coragem de permanecer íntegro, a paciência de acompanhar sem apressar e a ternura de reconhecer que o verdadeiro querer é generoso: ele não aprisiona, não impõe, apenas oferece.

Quero que os meus “queres” se tornem sementes silenciosas, capazes de florescer onde houver abertura, cuidado e amor.

Quero ler um livro sem a pressa de fazer uma resenha, escrever uma crítica ou ministrar uma palestra sobre o conteúdo; quero ler pelo simples prazer de ler, curtindo cada palavra, cada página, cada personagem, sem a obrigação que o mundo insiste em impor.

Quero assistir um filme buscando embriagar-me pela beleza da sétima arte, sem a preocupação com símbolos ocultos, análises profundas ou expectativas acadêmicas, apenas deixando que a história me envolva, me carregue, levando-me para longe do tempo e do espaço.

Quero viajar buscando o prazer de conhecer cada lugar sem traçar percursos obrigatórios, sem capturar tudo com a câmera, sem transformar a paisagem em dever, apenas existir no espaço, absorvendo cores, cheiros e sons como quem respira pela primeira vez.

Quero acordar e não correr, não disputar com o relógio, não me apressar para ganhar do tempo. Quero respirar a cadência das horas, sentir cada instante como se ele tivesse sido feito para mim, sem pressa ou cobrança.

Quero ouvir músicas sem pensar no significado das letras, sem precisar traduzir emoções em palavras, apenas sentir o som entrando pelas frestas da alma, deixando que cada nota dance e reverbere em mim como se fosse à primeira vez.

Quero conversar sem precisar impressionar, sem tentar ensinar nada, apenas pelo simples e puro prazer de estar com alguém, sentindo o silêncio e às pausas tão valiosos quanto às palavras que se dizem.

Quero caminhar sem destino certo, deixando que meus passos descubram caminhos que meus pensamentos ainda não conhecem, permitindo que cada curva, cada sombra, cada luz me revele algo que eu não sabia e que minha alma revele-se desejosa de conhecer mais e mais.

Quero escrever sem a preocupação com os erros, com a gramática perfeita, sem me importar com o que o leitor vai pensar ou dizer. Eu escrevo simplesmente para revelar-me feliz. É prazeroso, leitor, acredite: este ofício é profundamente prazeroso. Escrever é um ato libertador.

Por fim, eu escrevo pelo simples prazer de escrever, sentindo cada palavra nascer e se transformar em pensamento, deixando minhas ideias fluírem livres, sem amarras e sem exigências, apenas pelo prazer de existir através da escrita e, claro, de ser lido.

Luís Lemos é professor, filósofo, escritor, autor, entre outras obras de, “O primeiro olhar” (2011), “O homem religioso” (2016), “Jesus e Ajuricaba na terra das amazonas” (2019), “Filhos da quarentena” (2021), “Amores que transformam” (2024) e “Noite Santa” (2025). 

Instagram: @luislemosescrito

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