
O Fundação Fundo Previdenciário do Estado de Amazonas (Amazonprev), gestora única e responsável pelos benefícios previdenciários de mais de 100 mil (relatório de Gestão 2023) servidores públicos inativos e pensionistas, tem o maior déficit, equivalente a R$ 751,1 milhões, entre as empresas deficitárias que investiram no Banco Master.
As informações foram publicadas nesta segunda-feira, 09, pelo G1, baseadas nos balanços mais atualizados disponibilizados pelo Ministério da Previdência Social (ver relação abaixo).
O total investido em junho de 2024, antes do banco entrar em processo de liquidação, foi de R$ 50 milhões.
Conforme avaliação de especialistas investir em letras podres mesmo com superávit é uma péssima ideia. Pior ainda – dizem eles – é se o órgão é deficitário.
A má notícia, neste caso, é que os valores aplicados por fundos previdenciários e por fundos de investimento no Master não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito e os passivos entram na massa de credores da liquidação do banco.
Na época da liquidação do Master, a Amazonprev disse em nota que o investimento realizado no Banco Master “não oferece quaisquer riscos ou interfere no pagamento de aposentados e pensionistas do estado do Amazonas”.
Não é o que diz, entretanto, o professor de Direito Previdenciário, Rômulo Saraiva, autor do livro “Fraude nos Fundos de Pensão”.
Segundo ele, é grave o fato da Amazonprev e mais sete fundos previdenciários, terem aplicado o dinheiro, reservado a aposentados, em um investimento de alto risco como as letras financeiras do Banco Master.
Rômulo Saraiva assegura que, mesmo que o regime previdenciário esteja em superávit financeiro, não se justifica investir em papéis podres e num banco cujo mercado financeiro já apontava falta de reputação e lastro financeiro para honrar os compromissos. “A análise de risco foi trocada pela ingerência política em vários fundos de pensão”, diz Saraiva.
De acordo com o G1, oito fundos previdenciários estaduais e municipais que investiram em letras financeiras do banco Master, alvo de liquidação extrajudicial por parte do Banco Central em novembro de 2025, estão deficitários.
Confira relação dos oito fundos deficitários
– Instituto Municipal de Previdência (IPREM) de Santa Rita do Oeste (SP): R$ 988.452,53 (R$ 988,4 mil) de déficit financeiro;
– Instituto de Previdência Social do Município do Paulista (PreviPaulista): R$ 222.766,02 (R$ 222,7 mil) de déficit financeiro;
– Maceió Previdência: -R$ 299.438.030,55 (R$ 299,4 milhões) de déficit financeiro;
– Instituto Municipal de Previdência de Campo Grand: R$ 124.883.739,51 (R$ 124,8 milhões) de déficit financeiro;
– ARARAPREV (instituto de previdência social dos funcionários públicos de Araras): R$ 72.447.574,87 (R$ 72,4 milhões) de déficit financeiro;
– Rioprevidência: R$ 16.730.401.977,36 (R$ 16,7 milhões) de déficit financeiro entre as contribuições de servidores civis e R$ 8.780.084.654,28 (R$ 8,7 milhões) entre as contribuições de servidores militares;
– Amazonprev (Fundação Fundo Previdenciário do Estado de Amazonas): R$ 751.196.119,50 (R$ 751,1 milhões) de déficit financeiro entre as contribuições de servidores civis;
– Amprev (Amapá Previdência): R$ 394.964.922,50 (R$ 394,9 milhões) de déficit financeiro entre as contribuições de servidores militares.







