Samuel Estevão / Fato Amazonico

Uma operação integrada das forças de segurança resultou na apreensão de aproximadamente 4,5 toneladas de maconha do tipo skunk, três fuzis AK-47, duas metralhadoras M60 e mais de 5,8 mil munições em Codajás, no interior do Amazonas.

O material foi localizado durante uma ação de inteligência voltada à interceptação de uma lancha suspeita de transportar drogas e armamentos pelo Rio Solimões. A embarcação, considerada de alto poder logístico, era blindada e estava equipada com seis motores de popa de 250 HP.

Segundo a Polícia Militar do Amazonas (PMAM), a operação foi desencadeada após informações sobre o deslocamento de uma carga de drogas e armas pela região. As investigações apontavam que a embarcação teria saído da área da tríplice fronteira, entre Brasil, Colômbia e Peru, considerada uma importante rota utilizada pelo tráfico de drogas na Amazônia.

De acordo com o comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), major Ricardo Lemos, as equipes seguiram pelo Rio Solimões para tentar realizar a abordagem.

“As informações indicavam o transporte desse material ilícito. Subimos o Rio Solimões para fazer a abordagem desta lancha. Nós sabemos que são narcotraficantes que vêm da tríplice fronteira, através de Tabatinga”, afirmou.

Suspeitos trocaram tiros com policiais

Durante a tentativa de abordagem, houve troca de tiros entre os agentes de segurança e os suspeitos. Após o confronto, os criminosos abandonaram a embarcação e fugiram em direção a uma área de mata.

As equipes realizaram buscas na região, mas os suspeitos não foram encontrados. A quantidade exata de pessoas que estavam na lancha não foi informada oficialmente. Conforme levantamentos de inteligência citados pelo major Ricardo Lemos, o grupo poderia ter pelo menos oito integrantes.

“O armamento é tido como armamento de guerra, realmente”, declarou o comandante do Bope.

Durante as buscas realizadas após o confronto, parte do armamento foi encontrada escondida em um igarapé. A droga estava acondicionada em 102 sacos.

Arsenal tinha milhares de munições

Além dos três fuzis AK-47 e das duas metralhadoras M60, os agentes apreenderam 45 carregadores, sendo 37 destinados aos fuzis.

Também foram recolhidas 5.810 munições e projéteis de uso específico para metralhadoras, reforçando a suspeita de que o carregamento tinha como destino uma organização criminosa com grande capacidade de armamento.

A operação também retirou de circulação a lancha blindada equipada com seis motores de 250 HP, estrutura que, segundo as forças de segurança, demonstra o nível de organização e investimento na logística utilizada pelo grupo.

Investigação durou quatro meses

Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), Bruno Fraga, a apreensão é resultado de uma investigação que vinha sendo realizada havia aproximadamente quatro meses.

As informações levantadas durante as apurações indicam que a droga teria entrado no Amazonas pela região da tríplice fronteira.

“Essa droga veio da região da tríplice fronteira, dos países vizinhos que são produtores de cocaína e maconha. Nós sabemos que o Amazonas é uma das principais portas de entrada dessa droga, que vai ser escoada não só para o resto do Brasil, mas também para o mundo inteiro”, afirmou o delegado-geral.

Bruno Fraga também destacou a quantidade de armas e munições encontrada na operação. Para ele, o material evidencia o poder de fogo da organização criminosa investigada.

“Nós sabemos que utilizam uma logística grande. Vocês podem ver a quantidade de munições que estavam vindo para um eventual confronto com as forças de segurança”, disse.

Até a última atualização, as autoridades ainda não haviam informado a quem pertenciam especificamente as drogas e o armamento apreendidos, nem qual seria o destino final da carga.

Operação integrada

A ação contou com a participação de equipes da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) e da Diretoria Antidrogas da Polícia Nacional do Peru (Dirandro).

As investigações devem continuar para identificar os suspeitos que conseguiram fugir, além de esclarecer a origem e o destino da carga e apontar os demais envolvidos na logística do transporte de drogas e armamentos pelo Rio Solimões.

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