As apurações apontaram que o grupo mantém uma estrutura organizada e fortemente armada, voltada ao tráfico de drogas, ao controle territorial e à proteção de seus integrantes • Polícia Civil do Rio de Janeiro

Uma operação conjunta das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro resultou na prisão de 23 suspeitos e na apreensão de seis fuzis nesta terça-feira (14), durante ações contra o Comando Vermelho em comunidades de Jacarepaguá, na Zona Oeste da capital.

Além das prisões, os agentes apreenderam 20 celulares, entorpecentes, equipamentos utilizados em uma central clandestina de gatonet, um artefato explosivo, quatro motocicletas e um carro.

Segundo a Polícia Militar, equipes receberam informações de inteligência sobre a movimentação de criminosos na região do Corredor Itanhangá. Durante a operação, os policiais foram recebidos a tiros e houve confronto.

Após o tiroteio, três homens foram encontrados feridos em uma área de mata, receberam atendimento e foram encaminhados ao Hospital Municipal Lourenço Jorge.

Operação Contenção

A ação integra mais uma etapa da Operação Contenção e teve como principais alvos as comunidades da Cidade de Deus e Vila Sapê, estendendo-se também para outras localidades da Zona Oeste, como a Muzema.

Em entrevista à CNN Brasil, o comandante do Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar, coronel Alex Benevenuto Santos, afirmou que organizações criminosas passaram a adotar métodos semelhantes de atuação.

“Hoje em dia, não há mais prática de facções milicianas ou de tráfico, todas têm o mesmo modus operandi, atuam tanto no tráfico de drogas, domínio territorial, exploração de serviços, roubos de veículos; eles usam as comunidades para fazerem todas essas práticas criminosas”, declarou.

Investigação aponta expansão da facção

As investigações conduzidas pela Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) indicam que a expansão territorial do grupo criminoso está diretamente ligada a crimes como roubo e receptação de veículos.

Segundo a Polícia Civil, os automóveis roubados eram utilizados em outras ações criminosas, na logística da facção e no fortalecimento financeiro da organização.

Ainda conforme a investigação, o grupo mantinha uma estrutura organizada, com integrantes responsáveis pelo tráfico de drogas, vigilância armada, monitoramento dos acessos às comunidades, comunicação via rádio e proteção de lideranças criminosas.

Ataque com drone aumentou tensão

A operação foi realizada um dia após um drone equipado com uma granada atingir o telhado da sede da Associação de Moradores de Curicica, na localidade conhecida como Dois Irmãos.

No momento da explosão, diversas pessoas passavam pelo local, incluindo crianças que retornavam da escola. Um homem ficou ferido por estilhaços, segundo relatos de moradores.

Moradores afirmam que drones têm sido vistos com frequência sobrevoando a comunidade e suspeitam que os equipamentos estejam sendo utilizados para monitorar a movimentação na região.

Em nota, a Polícia Militar informou que, segundo o 18º BPM (Jacarepaguá), não houve acionamento da unidade para atender a ocorrência envolvendo o drone.

Artigo anteriorApós pressão da direção nacional do PT, militância reage e mantém apoio à pré-candidatura de Marcelo Ramos ao Senado
Próximo artigoVídeo mostra técnica de enfermagem recebendo bebê antes de tentativa de sequestro em maternidade no Piauí