
Uma megaoperação deflagrada na manhã desta quarta-feira (14) pela Polícia Civil do Paraná, em parceria com o Ministério Público, cumpre 215 mandados judiciais contra uma organização criminosa com atuação no Paraná, em Santa Catarina e em São Paulo.
O grupo é investigado por envolvimento em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e crimes violentos. Segundo a polícia, parte das lideranças continuava comandando as atividades criminosas de dentro do sistema prisional, utilizando celulares clandestinos para manter contato com integrantes que estavam fora das unidades.
Investigação começou após casos de tortura e cárcere privado
As apurações tiveram início após a investigação de crimes violentos registrados em Clevelândia, no sudoeste do Paraná. Entre as ocorrências analisadas estavam casos de tortura e cárcere privado atribuídos a integrantes do grupo criminoso.
De acordo com a Polícia Civil, algumas vítimas eram submetidas a agressões quando eram acusadas de traição. A organização também utilizava ameaças e intimidações contra pessoas que tinham dívidas relacionadas ao tráfico de drogas.
Durante o trabalho investigativo, os agentes identificaram uma estrutura organizada para negociar, transportar e distribuir entorpecentes em diferentes regiões.
Facção estabelecia preços e distribuía drogas
Segundo a investigação, as lideranças negociavam diferentes tipos de drogas e estabeleciam preços para a revenda. Para abastecer os pontos de comercialização, o grupo transportava entorpecentes entre municípios e utilizava depósitos para armazenar os materiais.
A administração dos locais de venda era realizada remotamente. Os investigadores descobriram que integrantes presos mantinham contato com outros membros da organização por meio de aparelhos celulares utilizados clandestinamente dentro das unidades prisionais.
Familiares são suspeitos de auxiliar o esquema
A apuração também identificou uma estrutura de atuação dentro e fora dos presídios, com possível participação de familiares e colaboradores dos detentos.
Conforme a polícia, algumas dessas pessoas levavam drogas escondidas no corpo durante visitas aos presos. Elas também seriam responsáveis por movimentar recursos provenientes do tráfico e registrar as transações em planilhas de controle financeiro.
O material reunido pelos investigadores aponta para uma divisão de tarefas entre os integrantes, incluindo a gestão das atividades criminosas, a distribuição de drogas e a administração do dinheiro.
Mandados são cumpridos em 24 cidades
As equipes policiais atuam em 24 municípios do Paraná, de Santa Catarina e de São Paulo para cumprir os mandados judiciais expedidos no âmbito da investigação.
Além das medidas de busca e outras diligências, a Justiça autorizou a quebra dos sigilos bancários de contas utilizadas pela organização e o acesso a dados armazenados em aparelhos eletrônicos.
O objetivo é aprofundar o rastreamento das movimentações financeiras, identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer a extensão das atividades atribuídas ao grupo criminoso.







