Fotos: Samuel Estevão/Fato Amazônico

Duas grandes operações das forças de segurança do Amazonas, realizadas entre segunda-feira (6) e terça-feira (7), resultaram na apreensão de quase cinco toneladas de drogas e expuseram um novo elemento que amplia a gravidade da atuação das organizações criminosas no estado: a descoberta de 60 coletes balísticos com identificação da Polícia Civil do Amazonas e da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) em poder de traficantes.

As ações, executadas em diferentes pontos de Manaus, provocaram um prejuízo estimado em R$ 65 milhões ao crime organizado e reforçaram a estratégia do governo estadual de intensificar o combate às facções que utilizam o Amazonas como uma das principais rotas do tráfico internacional de drogas.

Maior apreensão ocorreu em embarcação no Lago do Aleixo

A maior carga foi localizada na região do Lago do Aleixo, no bairro Colônia Antônio Aleixo, zona Leste da capital. Policiais encontraram aproximadamente 3,4 toneladas de maconha do tipo skunk armazenadas em um bote de alumínio equipado com motor de popa.

Segundo as investigações, os criminosos abandonaram a embarcação e fugiram por uma área de mata ao perceberem a aproximação das equipes policiais. Durante as buscas, também foram encontrados outros sacos contendo drogas e uma motocicleta Honda Titan 150 utilizada para dar apoio logístico ao transporte da carga.

De acordo com o secretário de Segurança Pública, coronel Paiva, a apreensão foi resultado de um trabalho de inteligência realizado em conjunto entre as forças estaduais e federais.

“A apreensão de 3,4 toneladas foi graças ao serviço de inteligência, à integração entre as forças de segurança e à cooperação com a Polícia Federal e autoridades do Peru. É dessa forma que conseguimos combater o crime organizado”, afirmou.

Coletes da Polícia Civil e da Senasp são encontrados com traficantes

No dia seguinte, outra operação da Força Tática, realizada no bairro São Francisco, zona Sul de Manaus, levou à apreensão de cerca de 1,5 tonelada de drogas, além de 60 coletes balísticos, munições e uma caminhonete utilizada para transportar os entorpecentes.

Entre os equipamentos apreendidos estavam 46 coletes identificados como pertencentes à Polícia Civil do Amazonas e outros 14 com identificação da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), fato que passou a integrar as investigações conduzidas pelo Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO).

Durante a ação, um homem armado que fazia a segurança da carga teria atirado contra os policiais antes de fugir. Na operação, Moisés Araújo Alves, de 22 anos, foi preso e encaminhado juntamente com todo o material apreendido para o DRCO.

Questionado sobre a origem dos equipamentos oficiais encontrados com os criminosos, o governador Roberto Cidade afirmou que o caso será investigado com rigor.

“Vamos cobrar e penalizar quem quer que seja que tenha cometido esse tipo de infração. Todos os procedimentos administrativos serão adotados para esclarecer como esses coletes chegaram às mãos do crime organizado”, declarou.

Amazonas já retirou 37 toneladas de drogas das ruas em 2026

Durante entrevista coletiva, Roberto Cidade destacou que as apreensões fazem parte de uma estratégia permanente de enfrentamento às facções criminosas e ressaltou que somente neste ano as forças de segurança já retiraram 37 toneladas de entorpecentes de circulação.

Segundo ele, considerando drogas apreendidas, bloqueio de valores e sequestro de bens utilizados pelas organizações criminosas, o prejuízo financeiro causado às facções já ultrapassa R$ 1 bilhão em 2026.

“Hoje é um dia ruim para o crime organizado. Só nessas duas operações causamos um prejuízo superior a R$ 60 milhões ao tráfico. É atacando o bolso dessas organizações que conseguimos enfraquecer sua atuação”, afirmou o governador.

Cidade também atribuiu os resultados aos investimentos feitos pelo Estado na estrutura das forças policiais, como aquisição de lanchas blindadas, armamentos, equipamentos de proteção e ampliação das ações de inteligência.

Ele ressaltou ainda que, apesar dos avanços, o combate ao tráfico exige maior participação da União no controle das fronteiras, principal porta de entrada das drogas que chegam ao Amazonas.

Investigação busca identificar toda a estrutura da organização criminosa

O delegado Bruno Fraga, do DRCO, afirmou que a apreensão representa apenas a primeira etapa da investigação.

Segundo ele, agora o foco é identificar a origem da droga, o destino da carga, os financiadores e toda a cadeia logística utilizada pelas facções para transportar e comercializar os entorpecentes.

“O objetivo é asfixiar financeiramente essas organizações criminosas, localizar o patrimônio adquirido com o tráfico e promover o sequestro desses bens. Somando as apreensões de drogas, bloqueios de valores e apreensões patrimoniais, já ultrapassamos R$ 1 bilhão de prejuízo ao crime organizado neste ano”, destacou.

As investigações seguem sob responsabilidade do Departamento de Repressão ao Crime Organizado, que também apura a procedência dos coletes balísticos encontrados durante a operação e eventual participação de outros integrantes da organização criminosa.

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