
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), comentou nesta segunda-feira (11) a repercussão nas redes sociais envolvendo a suspensão de lotes de produtos da marca Ypê pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A medida gerou mobilização de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que passaram a relacionar a decisão ao histórico de doações feitas pelos proprietários da empresa à campanha presidencial de 2022.
Durante coletiva de imprensa, Padilha afirmou que conteúdos divulgados nas redes sociais tentam transformar uma questão técnica e sanitária em disputa política.
“Tivemos no fim de semana uma enxurrada de vídeos irresponsáveis que desinformam a população, tentando transformar algo técnico, relacionado à saúde das pessoas, em disputa política porque essa empresa financiou campanhas do ex-presidente da República”, declarou o ministro.
A suspensão determinada pela Anvisa atingiu lotes de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes produzidos pela Química Amapo. Segundo o órgão, inspeções apontaram falhas nos controles de qualidade e risco de contaminação microbiológica em produtos com numeração final 1.
A mobilização em defesa da empresa ganhou apoio público da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que publicou uma imagem de um detergente da marca em seu perfil no Instagram, acompanhada da frase: “Dia lindo”.
Padilha também destacou que o diretor responsável pela área técnica da Anvisa, Daniel Meirelles, foi indicado durante o governo Bolsonaro. Segundo o ministro, isso demonstra que a decisão da agência teve caráter exclusivamente técnico.
“Ele foi assessor e secretário-executivo de ministro do governo Bolsonaro e hoje cumpre seu papel técnico na Anvisa”, afirmou.
De acordo com o ministro, a decisão de suspender os produtos foi resultado de quatro dias de avaliações conduzidas pela Anvisa, pelo Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e pela Vigilância Sanitária de Amparo, após a identificação de risco sanitário.
Padilha informou ainda que a própria empresa teria identificado, no fim do ano passado, a presença de bactéria em um dos lotes analisados.
“Toda vez que se encontra uma bactéria nesse tipo de produto, é necessário um sinal de precaução, porque isso pode indicar contaminação em diferentes etapas da produção”, explicou.
O ministro também alertou a população sobre os riscos de consumir ou utilizar produtos contaminados e criticou a disseminação de informações falsas nas redes sociais.
“Não sejam irresponsáveis com a saúde das pessoas, como muitos foram durante a pandemia”, concluiu.







