
Forças do Paquistão e do Afeganistão entraram em confronto novamente, com ataques que atingiram a capital afegã, Cabul. O ministro da Defesa paquistanês chegou a falar em “guerra aberta” nas redes sociais.
O governo paquistanês e o Talibã, grupo que governa o Afeganistão, eram aliados no passado, mas a relação tem ficado cada vez mais estremecida com trocas de ataques e acusações recentemente.
Troca de ataques entre Afeganistão e Paquistão
Na noite de quinta-feira (26), as Forças Armadas do Talibã lançaram ataques contra posições paquistanesas em alguns trechos da fronteira, que se estende por 2.575 quilômetros e inclui montanhas e um deserto.
Em resposta, o Paquistão lançou a Operação Ghazab Lil Haqq – ou “Operação Fúria Justa” — na noite de sexta-feira (27), com ataques contra as principais cidades do Afeganistão.
Os ataques aéreos e terrestres atingiram postos militares, quartéis-generais e depósitos de munição do Talibã em vários setores ao longo da fronteira.
Um porta-voz militar paquistanês alegou posteriormente que as Forças Armadas do país destruíram 73 postos do Talibã ao longo da fronteira e capturaram mais de uma dúzia de posições.
O que causou o novo confronto?
No último fim de semana, o Paquistão fez um ataque contra o território do Afeganistão, alegando que tinha “evidências irrefutáveis” de que combatentes no país vizinho estavam por trás de uma recente onda de ataques e atentados suicidas contra militares e policiais paquistaneses.
O Talibã afirmou que os ataques de quinta-feira foram uma retaliação ao bombardeio paquistanês do final de semana, que deixou pelo menos 18 mortos.
Além disso, o Paquistão alega que a liderança do grupo armado TTP (Tehreek-e-Taliban Pakistan) e muitos de seus combatentes estão no Afeganistão. Além disso, afirma que outros insurgentes que querem a independência da província paquistanesa do Baluchistão usam o país vizinho como refúgio.
O TTP foi formado em 2007 por diversos grupos no noroeste do Paquistão. É comumente conhecido como Talibã Paquistanês.
O governo do Talibã, por sua vez, nega permitir que combatentes usem o território afegão para lançar ataques contra o Paquistão. Além disso, também fez acusações, dizendo que o Paquistão combatentes do inimigo Estado Islâmico — o que Islamabad nega.
Quantas pessoas morreram?
Os dois lados divulgaram números diferentes de baixas.
O Paquistão afirmou na tarde de sexta-feira que suas Forças Armadas mataram 274 combatentes do Talibã e feriram 400.
O Afeganistão, por sua vez, disse que 13 de seus soldados foram mortos e 22 ficaram feridos. O porta-voz do governo talibã, Zabiullah Mujaid, também afirmou que o país matou 55 soldados paquistaneses e capturou outros, além de ter destruído 19 postos militares paquistaneses.
O Talibã informou ainda que os ataques paquistaneses mataram 19 civis e feriram outros 26, sendo a maioria mulheres e crianças, de acordo com o porta-voz adjunto Hamdullah Fitrat.
Compare o poderio militar dos dois países
Em teoria, há uma grande disparidade entre as capacidades militares dos dois lados. Com 172 mil integrantes, o Talibã possui menos de um terço do efetivo do Paquistão.
O grupo também possui pelo menos seis aeronaves e 23 helicópteros, mas seu estado de conservação é desconhecido. Além disso, ele não dispõe de caças ou de uma Força Aérea efetiva.
As Forças Armadas do Paquistão, por sua vez, contam com mais de 600 mil militares da ativa, mais de 6.000 veículos blindados de combate e mais de 400 aeronaves de combate, segundo dados de 2025 do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos.
O país também possui armas nucleares.
Com informações de CNN Brasil.







