
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, pediu ao Senado uma prorrogação de 72 horas para preparar a defesa no processo de impeachment que enfrenta após renunciar ao cargo. O país atravessa uma crise por causa do fechamento do banco Ueno, que afetou milhões de pessoas.
O Senado paraguaio retoma nesta sexta-feira (6/11) o julgamento do impeachment de Peña. A abertura do processo foi aprovada pela Câmara dos Deputados mesmo o presidente tendo pedido a renúncia. Ele é acusado de conflito de interesses por ter tido vínculos com o grupo que controlava o Ueno Bank.
Para solicitar a prorrogação, Peña alegou ter recebido a notificação às 22h15 dessa quinta-feira (5/11), com uma acusação de 15 folhas e mais 300 páginas com anexos.
O político usou o argumento de que um período de menos de 12 horas para o preparo da defesa seria “insuficiente” dentro dos padrões do Estado democrático de direito. A sessão está a princípio marcada para iniciar às 10h desta sexta.
Nas redes sociais, o presidente postou uma foto com a defesa e disse que estava aguardando uma definição sobre o prazo.
“Junto com meus advogados, Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda, estamos aguardando que o Senado conceda meu pedido de prorrogação do prazo para exercer meus direitos constitucionais de defesa, diante de sua notória insuficiência”, escreveu.
Nessa quinta, o Senado ouviu sete deputados que apresentaram as denúncias contra Peña.
Ele é acusado de favorecer o Grupo Vázquez, controlador do Ueno. Peña foi acionista do grupo até março de 2025. Ele também é acusado de omissão na fiscalização por parte do Banco Central do Paraguai (BCP). O presidente anterior da instituição, Carlos Carvallo, dirigiu o banco digital até 2023.
O presidente também foi responsabilizado pelo impacto na confiança no sistema financeiro. Pesa contra o paraguaio uma suposta intervenção indevida no IPS (órgão que administra as aposentadorias e a saúde dos trabalhadores). O Ueno Bank administrava quase R$ 4,5 bilhões em recursos públicos, incluindo Previdência.
Quem é Santiago Peña
O presidente do Paraguai tem 47 anos e foi eleito em abril de 2023. Ele é filiado ao Partido Colorado, uma legenda do campo de direita, e substituiu Mario Abdo Benítez na Presidência do país, que também pertence ao mesmo partido.
Peña foi eleito presidente em abril de 2023, quando derrotou Efraín Alegre, candidato da oposição. Ele sucedeu Mario Abdo Benítez, também integrante do Partido Colorado.
A legenda está no centro da política paraguaia há décadas e é historicamente identificada com posições conservadoras e nacionalistas. Peña integra o movimento interno cartista, ligado ao ex-presidente Horacio Cartes, que apoiou sua candidatura. Com Metrópoles.







