A Sessão Plenária desta terça-feira (27), na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), foi marcada por críticas dos parlamentares à precariedade de serviços básicos no interior. Estiveram na pauta assuntos relacionados à telefonia, fornecimento de energia elétrica e a privatização da Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama), que segundo alguns deles, comprometeu a qualidade da água em alguns municípios.

Para o deputado Sinésio Campos (PT) a privatização da Cosama prejudicou a qualidade da água de alguns municípios como o Careiro da Várzea (a 25 km de Manaus) e Parintins (a 369 km de Manaus).

“Depois do desmonte da Cosama, temos uma empresa que não faz o serviço de drenagem e descontaminação da água e ficam paras as prefeituras do interior carregar o ônus, aí onde as prefeituras não conseguem assumir a distribuição de água, o Governo do Estado tem de assumir o serviço. Estive neste fim de semana em São Gabriel da Cachoeira e lá a água chega nas casas das pessoas sem tratamento nenhum, sem investimento na área de saneamento, por isso, de vez em quando, o Governo tem de fazer outro contrato com a empresa, reassumindo o abastecimento de água e isso deveria acontecer na maioria dos municípios porque essa empresa não tem capacidade de dar conta desse serviço”, afirmou o deputado.

Concordando com o discurso de Sinésio, o deputado Adjuto Afonso (PDT) sugeriu que a Assembleia busque um levantamento para que o Estado reassuma o serviço prestado pela Cosama.  “Este é um tema importante porque hoje vários municípios estão sob a responsabilidade da Cosama e aqueles que ficaram na dependência da Cosama para o abastecimento de água já querem voltar a depender do Estado, como é o caso de Envira (a 1227 km de Manaus), que não tem condições de assumir uma responsabilidade que é da Cosama. Por isso, é importante fazermos um levantamento de quais municípios ainda precisam desse socorro e chamar essa responsabilidade para o Estado”, apontou.

Outro serviço básico que está deixando a desejar foi registrado na cidade de Humaitá (a 590 km de Manaus). A problemática em Humaitá foi registrada no discurso do deputado João Luiz (Republicanos). “A energia em Humaitá está precária pela falta constante da distribuição, o que prejudica em cheio o comércio local, há vários dias por várias horas sem energia elétrica sob alegação de um serviço de manutenção de alimentadores que deveria ter sido finalizado no mês passado. Por isso vou enviar, junto com a Câmara de Dirigentes Lojistas de Humaitá, uma nota de desagravo à Eletrobrás Amazonas Energia, buscando a normalização da energia no município”, reclamou.

Também em tom municipalista, Tony Medeiros (PSD) falou sobre o desenvolvimento interiorano, especialmente na área da infraestrutura. “O nosso Estado não vai se desenvolver enquanto não tivermos uma visão diferenciada em relação à infraestrutura, como portos e aeroportos. O porto de Nhamundá (a 381 km de Manaus) está ameaçado de desabamento, o porto de Parintins fechado há um ano sem definição alguma, assim como o de Fonte Boa (a 602 km de Manaus), fechado há dois anos sem perspectiva de reabertura”, citou. Na oportunidade ele também criticou a péssima qualidade do serviço de telecomunicação, onde o sinal de telefonia é tão ruim que é preciso fazer várias ligações porque as chamadas são interrompidas pela oscilação do sinal.

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