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O Parlamento Europeu adiou nesta segunda-feira (22/2) a votação crucial sobre a implementação de um acordo tarifário com os Estados Unidos. A decisão reflete a crescente incerteza nas relações comerciais transatlânticas, em um momento em que a Casa Branca enfrenta uma batalha legal interna sobre a autoridade presidencial para impor taxas a parceiros comerciais.

O eurodeputado Bernd Lange resumiu a posição europeia: “Queremos ter clareza por parte dos Estados Unidos de que eles estão respeitando o acordo”. A votação já havia sido postergada em janeiro devido a tensões relacionadas à Groenlândia.

O Acordo em Questão e o Revés de Trump

No ano passado, a União Europeia (UE) e os Estados Unidos haviam concordado com uma tarifa máxima de 15% para a maioria das importações europeias. Este acordo juridicamente vinculativo, posteriormente formalizado com os EUA, aguarda a aprovação do Parlamento Europeu.

Contudo, a política comercial do ex-presidente Donald Trump, e agora do atual governo que busca manter certas barreiras, sofreu um duro golpe na última sexta-feira (19/2). A Suprema Corte dos EUA, por uma votação de 6 a 3, decidiu que a base legal utilizada para muitas das tarifas impostas a quase todos os parceiros comerciais era injustificada. A decisão rejeitou o uso de uma lei de poderes de emergência para aplicar as amplas tarifas “recíprocas” de Trump, que chegaram a 50% em alguns casos e afetaram o comércio global, incluindo as sobretaxas contra o Brasil. Na prática, a Suprema Corte limitou o poder do presidente de impor tarifas sem a aprovação do Congresso.

A Reação de Trump e a Preocupação Europeia

Após o revés judicial, Trump reagiu anunciando novas tarifas de importação mundiais de 10%, elevando-as para 15% no sábado (20/2), com base em uma legislação separada e ainda não testada. Em sua rede social Truth Social, ele alertou: “Qualquer país que queira ‘brincar’ com a decisão ridícula da Suprema Corte, especialmente aqueles que vêm ‘explorando’ os EUA por anos, e até décadas, será confrontado com uma tarifa muito mais alta — e pior — do que aquela com a qual acabaram de concordar”.

Bernd Lange expressou preocupação de que essa postura possa significar uma tarifa de 30% sobre alguns grupos de produtos, apesar do limite de 15% previsto no acordo UE-EUA. A Comissão Europeia, por sua vez, indicou que necessita de um quadro claro sobre as implicações da decisão da Suprema Corte para a política tarifária dos EUA antes de tomar novas decisões. “Estamos tentando manter a previsibilidade para as empresas e para os consumidores diante de uma imprevisibilidade substancial”, disse um porta-voz da Comissão.

O comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, já participou de uma reunião com os ministros do Comércio do G7 e tem agendado um encontro com os embaixadores da UE para discutir os últimos desdobramentos nas relações comerciais com Washington, buscando estratégias para navegar neste cenário complexo e incerto.

Com informações de Metrópoles

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