Ahn Young-Joon – Pool/Getty Images

Ao assumir a presidência da Coreia do Sul no primeiro semestre de 2025, Lee Jae-myung falou sobre a necessidade de dialogar com a Coreia do Norte para melhorar a relação entre os dois países, tecnicamente em guerra há mais de sete décadas. O processo, contudo, é visto como delicado e complicado por fontes diplomáticas sul-coreanas ouvidas pelo Metrópoles sob condição de anonimato.

Relações Coreia do Norte e Coreia do Sul

  • Apesar de um cessar-fogo, Coreia do Norte e Coreia do Sul estão tecnicamente em guerra desde 1953.
  • A guerra entre os dois países aconteceu entre 1950 e 1953, depois da divisão da península coreana em 1948, no contexto da Guerra Fria entre Estados Unidos e a União Soviética.
  • Desde então, as duas nações, que antes já foram uma só, vivem momentos de tensão.

“O presidente Lee está fazendo de tudo para ter uma boa relação com a Coreia do Norte”, disse uma autoridade que participou, recentemente, de discussões nos EUA sobre o assunto. 

Um dos exemplos citados foi a recente decisão do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que aprovou a suspensão às restrições relacionadas à entrada de ajuda humanitária para a Coreia do Norte.

De acordo com a mídia estatal sul-coreana, o chanceler do país, Cho Hyun, buscou apoio direto do governo dos Estados Unidos para o fim das restrições. Como resultado, a proposta foi aprovada por unanimidade, mas ainda aguarda resposta do governo de Kim Jong-un.

Papel dos EUA

No atual cenário, o governo da Coreia do Sul enxerga os EUA como ator central na possível retomada de diálogo com o Norte. A avaliação de diplomatas coincide que discurso realizado pelo presidente Lee Jae-myung no início deste ano.

“Como um ‘facilitador’, apoiaremos ativamente a retomada das negociações entre a Coreia do Norte e os EUA, e continuaremos buscando a restauração das relações intercoreanas neste ano”, disse o líder sul-coreano em sua fala de Ano Novo.

Desde que reassumiu a Casa Branca, em janeiro de 2025, Donald Trump sinalizou seu desejo de negociar com Kim Jong-un, com quem se reuniu em 2018, se tornando o primeiro presidente dos EUA a entrar na Coreia do Norte. Tais discussões poderiam envolver não só interesses norte-americanos, como o programa nuclear norte-coreano, mas também a situação com a Coreia do Sul.

Na visão de fontes ouvidas pela reportagem, a relação anterior entre Trump e Kim e os métodos de negociação do líder norte-americano o colocam como o “único que conseguiria fazer esse papel de mediador” entre Sul e Norte.

Por isso, o presidente da Coreia do Sul estaria disposto a se colocar em um lugar de “coadjuvante” em possíveis discussões, afirmaram autoridades.

Expectativas frustradas

Em outubro do último ano, havia a expectativa de um reencontro com o herdeiro da dinastia Kim durante viagem do presidente dos EUA pela Ásia, que incluiu uma passagem pela Coreia do Sul. A reunião, contudo, acabou não acontecendo.

O desencontro, na visão de autoridades sul-coreanas consultadas pelo Metrópoles, é um sinal claro de um possível dilema enfrentado por Kim Jong-un.

“A Coreia do Norte sabe que está em posição inferior, econômica, tecnológica e culturalmente. O presidente Kim sabe que um possível restabelecimento de laços com o Sul acabaria com o regime”, avalia um diplomata da Coreia do Sul. “Se ele abrir a Coreia do Norte, seu governo pode cair. Se não abrir, o país poderá ser asfixiado”. 

Por sua vez, o governo norte-coreano continua adotando o tom de defesa da soberania nacional, apesar de Kim Jong-un ter falado em “boas lembranças” de Trump em setembro do ano passado.

Na época, o presidente da Coreia do Norte se mostrou disposto a entrar em negociações com Washington, mas sob seus termos.

“Se os Estados Unidos abandonarem sua vã obsessão pela desnuclearização [da Coreia do Norte], reconhecerem a realidade e desejarem uma genuína coexistência pacífica conosco, não temos motivos para confrontá-los”, declarou Kim e fala para a Assembleia Popular Suprema. Com Metrópoles.

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