
A Petrobras informou que irá devolver aos clientes os valores pagos a mais no leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), realizado em 31 de março, após o produto ter sido arrematado com preços até 100% superiores aos da tabela da estatal. Segundo a companhia, será ressarcida a diferença entre o Preço de Paridade de Importação (PPI), divulgado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) para o período de 23 a 27 de março, e os valores ofertados pelos distribuidores no leilão.
Em comunicado divulgado nesta quarta-feira (8), a Petrobras afirmou que adotará medidas para a “neutralização dos efeitos de preço” decorrentes do certame. A decisão, de acordo com a empresa, considera análises econômicas e o cenário excepcional do mercado, influenciado pelo conflito no Oriente Médio, além de manifestações de órgãos reguladores e de defesa do consumidor.
A estatal também garantiu a entrega integral dos volumes contratados e informou que avalia a adesão ao programa de subvenção ao GLP importado, previsto na Medida Provisória nº 1.349. Caso confirme a participação, a empresa deverá repassar aos clientes os valores cobertos pelo subsídio. O leilão foi alvo de críticas do governo federal. Em 2 de abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o processo seria anulado por ter sido realizado “contra a vontade da direção da Petrobras”.
No mesmo dia, a ANP iniciou fiscalização em refinarias da estatal para investigar indícios de preços com ágios elevados. Quatro dias depois, a Petrobras anunciou a saída do diretor executivo de Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Romeo Schlosser, responsável pela área que conduziu o leilão. Apesar de ser popularmente conhecido como gás de cozinha, o GLP também é utilizado como combustível industrial. O leilão ocorreu em meio à alta dos preços do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, que afetou a cadeia global de energia.
Diante desse cenário, o governo federal passou a estudar medidas para conter os impactos da alta, incluindo a redução de impostos e a concessão de subsídios para combustíveis como diesel e o próprio GLP.







