
Com a alta no mercado de petróleo, caso os preços da commodity se estabilizem em torno de US$ 80 por barril, a inflação brasileira pode sofrer um impacto altista de 0,25 ponto percentual, segundo relatório da Tendências Consultoria.
De acordo com as estimativas, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ficaria próximo de 4,1% em 2026, absorvendo o efeito da pressão sobre combustíveis e seus desdobramentos na cadeia de preços.
Esse impacto inflacionário seria repassado por meio dos ajustes dos preços internos feitos pela Petrobras.
“Considerando nossa projeção de 4,1% para o IPCA em 2026, este cenário alternativo representaria um efeito apenas moderado, mas que pode ser um pouco mais intenso a partir da resposta conjunta da taxa de câmbio. De todo modo, a depender da duração do conflito, os impactos tendem a ser temporários, eventualmente sem afetar a inflação do ano”, adicionou a consultoria.
A Tendencências avalia que o fechamento prolongado do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, é o cenário mais pessimista, enquanto a reabertura do canal reduziria o prêmio de risco e limitaria os impactos.
Segundo a análise da consultoria, o principal canal de transmissão do conflito no Oriente Médio para o Brasil é o preço do petróleo.
Antes da escalada o mercado operava com oferta mais folgada e o Brent girava em torno de US$ 65. Com os ataques e o risco de interrupção de fluxo no Estreito o barril voltou a se aproximar de US$ 80.
Se a interrupção for prolongada os preços podem subir ainda mais, afirmou a consultoria, já que não há capacidade ociosa suficiente no mercado global para compensar uma perda relevante de oferta.
No Brasil, uma alta nos combustíveis pode afetar o setor de transportes e encarecem fretes e custos de produção. Ainda assim, a Tendências não vê, por ora, mudanças relevantes nas projeções de crescimento econômico.
Já na política monetária, para a consultoria, o conflito não deve impedir o início do ciclo de cortes da Selic pelo Copom (Comitê de Política Monetária), mas pode estimular um debate sobre início mais cauteloso.
A consultoria avalia que os efeitos no Brasil devem ser moderados, mas que dependem da extensão das tensões no Oriente Médio.
“Enquanto não houver um encaminhamento ao conflito devemos verificar efeitos negativos sobre os ativos brasileiros, conforme sinalizado pela taxa de câmbio do dólar ao redor de R$ 5,20 nesta manhã”, destacou.
Com informações de CNN Brasil.







