
A Polícia Federal (PF) apreendeu uma grande quantidade de dinheiro em espécie na residência de um auditor da Receita Federal, em Niterói, no Rio de Janeiro, durante a Operação Mare Liberum, deflagrada na manhã desta terça-feira (28). O montante encontrado ainda será contabilizado pelas autoridades.
A operação foi realizada com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público Federal (GAECO/MPF) e da Corregedoria da Receita Federal, com o objetivo de desarticular um esquema de facilitação de contrabando e descaminho no Porto do Rio de Janeiro.
Segundo as investigações, 25 servidores da Receita Federal — entre auditores fiscais e analistas tributários — foram alvo de mandados de busca e afastados das funções por determinação da Justiça.
De acordo com a PF, as fraudes identificadas movimentaram cerca de R$ 86,6 bilhões entre julho de 2021 e março de 2026. As apurações revelaram que aproximadamente 17 mil Declarações de Importação (DI) apresentam indícios de irregularidades.

As cargas investigadas deveriam passar por fiscalização rigorosa, mas acabavam sendo liberadas mesmo com divergências graves entre os produtos declarados e os efetivamente importados.
As investigações tiveram início em fevereiro de 2022, após auditorias internas realizadas pela Corregedoria da Receita Federal identificarem a atuação de uma organização criminosa formada por servidores públicos, empresários e despachantes aduaneiros.
Segundo a PF, o grupo atuava de forma coordenada para facilitar a entrada irregular de mercadorias no país e reduzir o pagamento de tributos.
Os investigadores identificaram três frentes principais de atuação do esquema. A primeira consistia na liberação direta de cargas classificadas nos canais vermelho e cinza — considerados de alto risco — sem o cumprimento das exigências legais.
Outra frente da organização criminosa atuava no setor de óleo e gás, onde também teriam ocorrido liberações irregulares e fraudes tributárias.
Ainda conforme as investigações, o pagamento de propinas fazia parte da estrutura criminosa, com movimentações que podem chegar a dezenas de milhões de reais ao longo do período investigado.
Os envolvidos poderão responder por crimes de corrupção, associação criminosa, contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro, entre outros delitos.







