
“Pau que nasce torto, não tem jeito morre torto”. Que diga o prefeito de Coari, Adail Pinheiro, o mesmo que declarou para a justiça eleitoral que não tem bens a declarar e é considerado uma das maiores fortunas do Amazonas.
Frequentador cativo das páginas policiais desde os tempos da Operação Vorax, que dissecou com cirurgicamente todas suas malandragens corruptas e taras por meninas de até 12 anos – tudo isso na condição de administrado público -, o prefeito, agora, é apontado pela Polícia Federal ((PF) como suposto dono R$ 1,2 milhão apreendidos em poder dos empresários Cesar de Jesus, Vagner Santos e Erick Pinto, em maio deste ano no aeroporto de Brasília.
De acordo com a PF, a grana teria ligação com o prefeito e seu filho deputado federal, Adail Filho.
No rastro do crime, a PF encontrou as pegadas, mas marcas digitais, digamos assim, tanto de Adail Pinheiro, quanto as de seu filhote, investigados por suposta lavagem de dinheiro.
De acordo com o UOL, edição deste 31 de dezembro, o caso foi remetido ao STF e aguarda definição de relator, ministro Alexandre de Moraes. A Justiça de Brasília enviou o processo ao Supremo Tribunal Federal, que já recebeu os autos, mas ainda não definiu o ministro responsável.
Ainda segundo reportagem do UOL, Adail Filho nega relação comercial com os três empresários presos com a mão na botija, afirmando que apenas ofereceu gabinete e motorista a Vagner Moitinho por solicitação do filho dele, vereador em Presidente Figueiredo (AM), prática que diz adotar com outros aliados.
O ministro Alexandre de Moraes, sorteado para analisar o caso, citou decisão da 2ª Vara Criminal do DF, que apontou indícios de envolvimento de parlamentar federal, justificando o foro privilegiado.
Entre as transações suspeitas identificadas pela polícia aparece, por exemplo, supostos repasses de emendas. Há registros de recursos federais destinados a Coari e indícios de desvios ligados a contratos públicos e emendas parlamentares.
A PF, segundo o UOL, já havia encontrado R$ 6 milhões em contratos com a Prefeitura de Coari. Empresas dos empresários detidos tinham negócios com o município, segundo a investigação.
Decisão da 2ª Turma Criminal do TJ-DF menciona elementos obtidos via quebra de sigilo telemático.
Adail Filho nega ter empresas com os empresários investigados e diz não receber pagamentos. Ele afirma ser dono de apenas duas empresas registradas em seu nome e rejeita qualquer vínculo comercial com Vagner Moitinho.
Advogado diz que empresários, deputado e prefeito são vítimas de preconceito da polícia. Fabrício Parente, que defende Moitinho e Adail Pinheiro, afirma que não houve crime no transporte do dinheiro e que não há relação do prefeito e do parlamentar com a apreensão.
Para entender
No dia 21 de maio deste ano, a Justiça mandou soltar, após de audiência de custódia na 1ª Vara de Criminal de Brasília, Cesar de Jesus Glória Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho, flagrados com malas de dinheiro vivo no aeroporto de Brasília.
A Justiça proibiu, entretanto, que eles não saiam de Brasília e sejam monitorados por tornozeleira eletrônica durante três meses.
Em depoimento à PF, o empresário Cesar Jesus, dono da Comercial CJ, disse que atende a prefeituras do Amazonas em “atividades diversas”.
Ele afirmou, ainda, que atua no “ramo de comércio de alimentos, prestação de serviços de transporte, fornecimento de material de escritório, dentre outras atividades diversas”, e negou pagar propinas e disse que não tem relação com a Marcha dos Prefeitos.
Segundo o empresário, é comum proceder com o transporte de valores em espécie, tendo em vista a existência de facilidade no momento de pagamento de fornecedores e na obtenção de descontos.
Em depoimento à PF, o empresário Cesar Jesus, dono da Comercial CJ, disse que atende a prefeituras do Amazonas em “atividades diversas”.
Ele afirmou, ainda, que atua no “ramo de comércio de alimentos, prestação de serviços de transporte, fornecimento de material de escritório, dentre outras atividades diversas”, e negou pagar propinas e disse que não tem relação com a Marcha dos Prefeitos.
Segundo o empresário, é comum proceder com o transporte de valores em espécie, tendo em vista a existência de facilidade no momento de pagamento de fornecedores e na obtenção de descontos.
De acordo com o delegado federal, Márcio Lima, os elementos de convicção apresentados sustentam a proveniência e possível destinação ilícita dos valores que, aparentemente, decorrem de crimes perpetrados em desfavor da administração pública municipal.







