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O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, também pode estar por trás da quebra de uma fintech que travou o dinheiro de milhares de lojistas.

Na semana passada, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Entrepay Instituição de Pagamento S.A. Por extensão, a Acqio Adquirência Instituição de Pagamento S.A. e a Octa Sociedade de Crédito Direto S.A., instituições integrantes do conglomerado, também foram liquidadas.

A suspeita da Polícia Federal e do BC é de que Vorcaro seja o verdadeiro proprietário da Entrepay, uma espécie de dono oculto. A informação foi publicada inicialmente pelo Estadão de S.Paulo e confirmada pelo Metrópoles.

No site do Reclame Aqui, praticamente todas as reclamações dos lojistas sobre a Entrepay são sobre a falta de repasse de pagamento.

“Utilizei as maquininhas do Banco do Nordeste, em parceria com a Entrepay. Há mais de 20 dias que estão com os valores retidos e não repassam, só dizem que estão tentando solucionar, mas sem previsão”, diz um usuário.

Um lojista relatou que o banco deixou de repassar R$ 44 mil e que espera pelo pagamento desde fevereiro.

“A Entrepay deixou de repassar R$ 44 mil. Desde 23 de fevereiro, não recebo um centavo, comprometendo o fluxo de caixa da empresa, você tem o dinheiro e não recebe é revoltante, já fui duas vezes ao BNB (Banco do Nordeste), e não tem nenhuma previsão”, escreveu.

Outro empreendedor apontou o mesmo problema com a companhia.

“Desde o ano passado, a empresa vem deixando de realizar os pagamentos dos recebíveis, incluindo transações de crédito (parceladas) e débito, acumulando um valor superior a R$ 40 mil sem qualquer regularização até o momento”, disse no Reclame Aqui.

Envolvimento do Master

CEO da Entrepay, Antônio Freixo, conhecido como Mineiro, foi alvo da operação Compliance Zero e teve o nome citado nas investigações do caso Master. A investigação apura fraudes, lavagem de dinheiro e irregularidades em fundos de investimento.

Ele e Daniel Vorcaro também respondem a um processo na Comissão de Valores Mobiliários, que apura irregularidades na emissão e distribuição de cotas de fundos de investimentos.

Em dezembro do ano passado, a companhia tinha, aproximadamente, 0,009% do ativo total do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Segundo o BC, a liquidação extrajudicial ocorreu por causa do comprometimento da situação econômico-financeira da Entrepay, por infringência às normas bancárias e “prejuízos que sujeitam a risco anormal seus credores”.

Por meio de nota, o Grupo Entre, dono da Entrepay, afirma que vinha conduzindo “de forma estruturada” um processo de descontinuação das operações dessas sociedades.

“O Grupo Entre reafirma seu compromisso com a colaboração integral com as autoridades competentes, prestando todos os esclarecimentos necessários e acompanhando os desdobramentos do processo de liquidação dentro dos canais institucionais apropriados, de forma também a mitigar impactos a clientes, parceiros e demais públicos relacionados”, diz o comunicado.

Fim de contrato

Em 13 março, o Banco do Nordeste (BNB) rescindiu, de forma unilateral, o contrato com a EntrePay devido a atrasos nos repasses a lojistas e descumprimento contratual.

A parceria oferecia maquininhas de cartão (crédito, débito e Pix) a clientes do Crediamigo, no entanto, as pessoas não estavam recebendo os pagamentos.

“Como medida cautelar, o banco determinou, ainda, a suspensão imediata dos serviços prestados pela EntrePay, com a vedação à realização de novas autorizações, transações ou operações com cartões vinculados à parceria, sem prejuízo das providências necessárias à preservação dos direitos dos usuários finais, à mitigação de riscos operacionais e financeiros e à observância da legislação e da regulamentação aplicáveis”, disse o BNB à época.

Com informações do Metrópoles.

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