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A atuação de uma consultoria financeira incorporada pela Crédito e Mercado voltou ao centro de investigações após operação da Polícia Federal que apura possíveis irregularidades na aplicação de recursos de institutos municipais de previdência.

A apuração aponta que cerca de R$ 13 milhões da previdência de Santo Antônio de Posse foram direcionados para investimentos no Banco Master e no Banco Daycoval, com recomendação da consultoria, que agora está sob análise dos investigadores.

Segundo a empresa, a responsabilidade final pelas aplicações é dos gestores dos regimes próprios de previdência (RPPS), que têm autonomia para decidir onde investir. A consultoria afirma ainda que não foi formalmente notificada sobre a operação.

Histórico levanta suspeitas

O caso ganha peso por episódios anteriores envolvendo a mesma estrutura. Em 2013, a então Plena Consultoria — posteriormente incorporada pela Crédito e Mercado — recomendou que o instituto de previdência de Paulínia investisse cerca de R$ 16 milhões em um fundo imobiliário ligado à construção de um hotel da família do banqueiro Daniel Vorcaro, em Belo Horizonte.

O empreendimento, projetado para funcionar durante a Copa do Mundo de 2014, nunca foi concluído.

Na época, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo rejeitou as contas do instituto e classificou os pareceres técnicos como “extremamente precários”, apontando falhas graves na análise do investimento, como ausência de dados sobre risco, rentabilidade e liquidez.

Conexões e novas frentes de investigação

A consultoria também aparece em apurações envolvendo outros municípios, como Sebastianópolis do Sul, onde recursos públicos foram aplicados em fundos ligados ao setor funerário, alguns com conexão ao Banco Master.

Entre os desdobramentos, surgem ainda vínculos indiretos com empresas do ramo de cemitérios e pessoas próximas ao núcleo do banco. Um dos nomes citados é o de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que integrou o conselho de uma dessas companhias.

O empresário Eduardo Nakamura, ex-sócio da Plena, afirmou que não participava da área técnica de investimentos, atuando apenas na parte administrativa. Ele também é alvo de pedido de convocação na CPI das Pirâmides Financeiras da Assembleia Legislativa de São Paulo, proposta pelo deputado Paulo Fiorilo.

A Polícia Federal segue reunindo elementos sobre o caso, enquanto aguarda manifestações dos investigados e das instituições envolvidas.

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