Divulgação/PF

Um saque incomum chamou a atenção de agentes da Polícia Federal no início da tarde de 8 de janeiro, em Boa Vista (RR). O valor, R$ 150 mil em dinheiro vivo, foi retirado diretamente no caixa por um empresário local.

O que veio depois transformou uma movimentação bancária aparentemente isolada em uma investigação de grande alcance.

A coluna apurou que no carro estavam Clóvis, o capitão da PM Marcos Holanda e a secretária do empresário, Ana Clara. Durante a revista, os militares encontraram o dinheiro recém-sacado, documentos diversos, celulares, duas armas de fogo e munições. O trio foi preso em flagrante.

A análise inicial dos materiais apreendidos ampliou o alcance do caso. No celular do policial militar, investigadores identificaram trocas frequentes de mensagens com agentes públicos e figuras políticas do governo de Roraima.

Conexões

Entre os nomes citados com recorrência aparece o do empresário Disney Mesquita, ex-chefe da Casa Civil e figura conhecida no estado.

Conversas, registros e documentos apontam que Marcos Holanda prestava serviços particulares de segurança para Disney Mesquita, com frequência, segundo a Polícia Federal.

Um dos episódios citados em relatórios da investigação ocorreu em julho de 2025, quando o capitão foi chamado para intervir após a queda de uma aeronave em uma fazenda no município de Rorainópolis.

No local, ele teria informado a policiais que atendiam à ocorrência que o avião pertencia a Disney. O piloto e a carga nunca foram localizados.

CPI

O nome de Marcos Holanda também aparece em investigações legislativas. Ele integrou a lista da CPI da Assembleia Legislativa de Roraima que apura a atuação de organizações criminosas ligadas à grilagem de terras públicas e privadas. O policial possui propriedade rural no sul do estado.

Durante a abordagem, os agentes encontraram no veículo do capitão pastas com documentos ligados a um hotel pertencente a Disney Mesquita, localizado em Caracaraí.

O empresário também é dono de um posto de combustíveis em Boa Vista que, segundo fontes ouvidas pela polícia, abasteceria veículos alugados pelo governo estadual por meio de acordos irregulares.

A investigação identificou ainda veículos alugados que integram a frota do estado estacionados em uma fazenda de Disney Mesquita, no município de Amajari. Segundo os levantamentos, os carros estariam sendo usados para fins particulares.

Essa mesma fazenda entrou no radar do governo federal no ano passado, após fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego que resgatou 29 trabalhadores em condições análogas à escravidão. Disney Mesquita passou a integrar a chamada “lista suja” da União.

Suspeitas

Anotações financeiras apreendidas pela PF indicam controles paralelos de valores que teriam origem em contratos públicos. Para os investigadores, o dinheiro sacado por Clóvis Braz teria como destino pessoas com influência direta ou indireta sobre processos licitatórios que beneficiariam empresas ligadas ao empresário.

As conversas extraídas dos celulares reforçam a suspeita de facilidade de acesso a procedimentos administrativos e contratos públicos, além de indícios de articulação para ocultar a origem e o destino dos valores.

A versão apresentada por Marcos Holanda — de que apenas deu carona ao empresário — foi descartada pelos investigadores. Segundo a Polícia Federal, há vínculo financeiro consistente entre o policial, Clóvis Braz e Disney Mesquita.

Com informações de Metrópoles.

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