Michael Melo/Metrópoles

O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,3% em 2025, na comparação com 2024, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (3/3). O índice foi puxado principalmente pela agropecuária.

O PIB do ano totalizou R$ 12,7 trilhões. O resultado representa uma desaceleração da economia em relação a 2024, quando o índice foi de 3,4%. O governo federal, o Banco Central (BC) e o mercado esperavam um crescimento igual ou inferior a 2,3%.

  • Produto Interno Bruto é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país, estado ou cidade, em um ano. A divulgação é feita trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
  • Uma alta significa que a economia está crescendo em um ritmo bom. Por outro lado, um recuo implica encolhimento da produção econômica da nação.
  • Em 2024, a economia brasileira cresceu 3,4%, ante crescimento de 3,2% no ano de 2023.

O resultado veio conforme a projeção oficial do governo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, o PIB do Brasil avançaria 2,3% em 2025.

Os destaques do resultado positivo de 2025 foram as altas nos setores de agropecuária (11,7%), serviços (1,8%) e indústria (1,4%), de acordo com dados do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais.

No acumulado do ano passado, os R$ 12,7 trilhões do PIB foram divididos em:

  • R$ 11 trilhões referentes ao Valor Adicionado (VA) a preços básicos; e
  • R$ 1,8 trilhão de Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios.

A taxa de investimento em 2025 chegou a 16,8% do PIB, contra 16,9% em 2024 — variação de 2,9%. A taxa de poupança, por sua vez, ficou em 14,4% no ano passado (ante 14,1% registrados no período anterior).

As variações do PIB por setores em comparação a 2024:

  • Indústria: 1,4%
  • Serviços: 1,8%
  • Agropecuária: 11,7%
  • Consumo das famílias: 1,3%
  • Consumo do governo: 2,1%
  • Investimentos: 2,9%
  • Exportações: 6,2%
  • Importação: 4,5%

Serviços

Houve crescimento em todas as atividades que compõem o setor de Serviços — categoria com mais peso no PIB brasileiro.

São eles: informação e comunicação (6,5%), atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (2,9%), transporte, armazenagem e correio (2,1%), outras atividades de serviços (2,0%), atividades imobiliárias (2%), comércio (1,1%) e administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,5%).

Indústria

Na indústria, a atividade de indústrias extrativas teve o maior destaque positivo, ao registrar alta de 8,6% em 2025, associada ao crescimento da extração de petróleo e gás.

Dentro do setor de indústria, a construção cresceu 0,5%, justificada pela alta da massa salarial real na atividade. Por outro lado, o setor de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos apresentou variação negativa (-0,4%), sob influência da piora relativa das bandeiras tarifárias em comparação a 2024.

Também registraram variação negativa as indústrias de transformação (-0,2%), puxadas, principalmente, pela queda na fabricação de coque e derivados do petróleo; produtos de metal e bebidas.

Agropecuária

O crescimento de 11,7% na agropecuária refletiu, principalmente, o desempenho da produção e da produtividade na agricultura. Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA/IBGE), várias culturas registraram crescimento de produção em 2025, com destaque para:

  • milho (23,6%); e
  • soja (14,6%).

As duas culturas alcançaram produções recordes na série histórica. Conforme anunciou o IBGE, a pecuária também teve contribuição positiva em 2025.

Projeções

A expectativa do governo era que o índice ficasse em 2,3%. O número foi revisado para cima pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, no último dia 6. A projeção anterior era 2,2%. A previsão do Banco Central também era uma alta de 2,3%.

O mercado tinha previsões sensivelmente mais pessimistas do que os órgãos governamentais. Os analistas de mercado ouvidos pelo Banco Central esperavam um crescimento da economia de 2,26% para 2025. Instituições financeiras como XP, BTG e Itaú acreditavam em um avanço de 2,2% a 2,3%.

Desaceleração

O PIB do terceiro trimestre de 2025 (julho, agosto, setembro) foi de 0,1%, quando comparado ao segundo trimestre, o que já indicava um desaquecimento da economia nacional. No segundo trimestre, houve alta de 0,4%.

2026

A economia brasileira deve continuar o processo de desaceleração neste ano. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) espera um crescimento do PIB na casa de 1,6% em 2026, mesmo patamar previsto pelo BC.

O Ministério da Fazenda acredita em um avanço de 2,3% na economia. Já os analistas do mercado ouvidos pelo Banco Central na elaboração do Boletim Focus, indicam avanço de 1,82%.

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