Foragido desde 14 de fevereiro, Pedro José da Silva Gama, 42, é o piloto da lancha envolvida no naufrágio no Encontro das Águas

Após mais de um mês sendo considerado foragido da Justiça, o piloto da lancha Lima de Abreu XV, Pedro José da Silva Gama, 42 anos, se apresentou à polícia na noite desta segunda-feira (16), em Manaus. Ele é apontado como responsável pela embarcação que afundou no Encontro das Águas, em fevereiro.

O comandante compareceu à sede da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), onde permanece à disposição da Justiça. A previsão é que ele seja submetido à audiência de custódia nesta terça-feira (17).

De acordo com a defesa, Pedro decidiu se apresentar espontaneamente após período de abalo emocional causado pelo acidente. Os advogados afirmam que ele não teve intenção de fugir e que agora pretende colaborar com o andamento das investigações.

O naufrágio ocorreu no dia 13 de fevereiro, quando a embarcação partiu de Manaus com destino ao município de Nova Olinda do Norte, transportando cerca de 80 passageiros. Durante o trajeto, a lancha afundou nas proximidades do Encontro das Águas, região marcada pelo encontro dos rios Negro e Solimões.

Imagens registradas por passageiros mostram o desespero de pessoas à deriva, incluindo crianças, muitas delas utilizando coletes salva-vidas ou se apoiando em objetos para permanecer na superfície enquanto aguardavam socorro.

Logo após o acidente, embarcações que navegavam nas proximidades iniciaram o resgate das vítimas, que posteriormente contou com reforço de equipes especializadas. Um dos episódios mais marcantes foi o salvamento de um bebê prematuro de apenas cinco dias, que foi colocado dentro de um cooler para evitar o contato direto com a água. A criança e a mãe foram resgatadas com vida.

Relatos de sobreviventes apontam que momentos antes do naufrágio houve alerta ao piloto sobre as condições da água, devido ao banzeiro — fenômeno comum na região que provoca fortes ondulações. Uma passageira chegou a pedir que a velocidade fosse reduzida.

O caso resultou na morte de três pessoas: a pequena Samila de Souza, de 3 anos; a estudante Lara Bianca, de 22 anos; e o cantor gospel Fernando Grandêz, de 39 anos. Outras cinco pessoas seguem desaparecidas.

Samila chegou a ser levada a uma unidade de saúde, mas já estava sem vida. A criança retornava para o município de Urucurituba após visitar Manaus pela primeira vez. Lara Bianca, natural de Nova Olinda do Norte, estava em fase final do curso de odontologia. Já Fernando Grandêz era conhecido no meio religioso, onde participava de eventos e apresentações musicais.

Inicialmente detido no dia do acidente, Pedro chegou a pagar fiança e foi liberado. No entanto, no dia seguinte, a Justiça determinou sua prisão preventiva, com o objetivo de garantir a ordem pública e o andamento do processo. Desde então, ele era considerado foragido.

As causas do naufrágio ainda são apuradas pelas autoridades.

Artigo anteriorWilson Lima inaugura Hospital do Sangue com 184 leitos e amplia em 254% capacidade de tratamento hematológico no Amazonas