
Um grupo criminoso especializado em arrombar e furtar caixas eletrônicos foi alvo de uma operação deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso nesta quinta-feira (5/11). As investigações identificaram uma estrutura criminosa interestadual responsável por uma série de furtos a equipamentos instalados em estabelecimentos comerciais e instituições financeiras.
A quadrilha entrou na mira das autoridades em janeiro deste ano, após um furto ocorrido na madrugada do dia 21 daquele mês. Na ocasião, os criminosos arrombaram um caixa eletrônico instalado em um supermercado no bairro Praia Grande, em Várzea Grande.
Na ação criminosa, os suspeitos romperam o cofre do equipamento utilizando uma lança térmica, ferramenta industrial usada para cortar materiais resistentes. Mesmo com o acionamento do sistema de segurança, que libera tinta sobre as cédulas para inutilizá-las, os criminosos conseguiram subtrair R$ 105 mil.
Ao longo da apuração desse crime, os policiais identificaram que o caso fazia parte de uma sequência de ataques com características semelhantes. Ao todo, foram registrados seis furtos entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026 em caixas eletrônicos de Cuiabá e Várzea Grande.
Todas as ações envolveram o arrombamento de paredes, a utilização de lonas para esconder a luminosidade produzida pela lança térmica e o corte dos cofres dos equipamentos.
Laboratório para lavar cédulas
Segundo a Polícia Civil de Mato Grosso, o grupo contava com núcleos responsáveis pela execução dos furtos, pela lavagem das cédulas manchadas de tinta, pela utilização de equipamentos tecnológicos e pelo recebimento dos recursos ilícitos.
Após os ataques, os integrantes responsáveis pela lavagem realizavam procedimentos para retirar fisicamente a tinta de segurança das cédulas, utilizando produtos químicos e outros materiais.
Em seguida, o dinheiro era depositado de maneira fracionada em diferentes agências bancárias para dificultar a identificação da origem criminosa dos valores.
O dinheiro obtido nos furtos era distribuído entre diferentes integrantes e terceiros, que recebiam os depósitos em suas contas bancárias.
A análise de imagens dos circuitos de segurança das instituições financeiras e outros elementos de investigação permitiram identificar a participação dos suspeitos em diferentes etapas do esquema criminoso.
Foi identificado, ainda, que o grupo criminoso possuía integrantes residentes em outros estados, especialmente em Santa Catarina, que se deslocavam para Mato Grosso para executar os ataques.
Os elementos reunidos também indicaram conexões dos investigados com práticas criminosas anteriores nos estados do Rio de Janeiro e de Alagoas.
A ação policial
A Operação Círculo Vicioso cumpre 74 medidas judiciais, entre elas 10 mandados de prisão preventiva, 18 de busca e apreensão, 18 autorizações para acesso a dados de dispositivos eletrônicos, 15 quebras de sigilo bancário e 13 bloqueios de ativos financeiros de aproximadamente R$ 240 mil.
Os mandados são cumpridos em Cuiabá e Rondonópolis, em Mato Grosso, e nas cidades de Joinville (SC) e São Luís (MA). O cumprimento das ordens judiciais conta com o apoio da Polícia Civil de Santa Catarina, da Polícia Civil do Maranhão e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
As medidas judiciais autorizadas abrangem endereços em Mato Grosso e em Joinville, além de providências destinadas a interromper a movimentação dos recursos financeiros provenientes das atividades ilícitas.
A decisão judicial também autorizou o bloqueio de ativos financeiros dos investigados até o limite global de R$ 239.980,52, valor correspondente aos prejuízos quantificados nos autos em quatro dos furtos investigados, com possibilidade de reavaliação após o aprofundamento das análises financeiras.
As investigações foram conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
Com informações do Metrópoles.







