
A Polícia Civil realiza, nesta segunda-feira (2/3), a reconstituição da morte da policial militar (PM) Gisele Alves Santana, de 32 anos, no apartamento em que morava com o marido, no Brás, região central de São Paulo. A morte dela passou a ser considerada suspeita, após inicialmente ter sido registrada como suicídio.
Gisele foi encontrada morta com um disparo na cabeça. A arma usada pertence ao marido, o tenente-coronel da Polícia Militar (PM) Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) disse que a reconstituição “faz parte do trabalho investigativo, que atua para esclarecer todas as circunstâncias do ocorrido”.
A SSP não revelou quanto tempo a reconstituição pode durar, tampouco se o tenente-coronel vai participar. A família da PM não estará presente, segundo seus advogados.
Relacionamento abusivo
O casal vivia relacionamento abusivo e conturbado, segundo amigos e a família da policial morta. Laudo preliminar sobre o caso ainda não foi divulgado.
A policial foi encontrada morta dia 18 de fevereiro. Em depoimento à Polícia Civil, o tenente-coronel Geraldo disse que estava tomando banho, quando ouviu um barulho e, ao sair, viu a companheira ferida gravemente na sala.
Na ocasião, o oficial disse que acreditava que o barulho era decorrente de uma “porta batendo”, e só posteriormente entendeu que era um tiro.
Amigos e familiares protestaram
Familiares e amigos da policial militar Gisele Alves Santana protestaram no sábado (28/2), em frente à Corregedoria da Polícia Militar (PMSP), contra a morte.
Uma das manifestantes reclamou de “negligência” da corporação para a qual Gisele trabalhava. Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio, mas pessoas próximas apontam para possível feminicídio.
“O silêncio que tem aqui agora não é de omissão, talvez de alguns, mas não na sua totalidade. É um silêncio que vem de uma hierarquia, de uma corporação arcaica, que da porta para dentro do quartel existe uma ditadura e que todos eles passam por isso em silêncio, aí a Gisele também passava por isso”, disse uma manifestante.
Quem era a PM esposa de coronel encontrada morta
A agente, que recentemente havia conseguido uma promoção para o Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo (TJMSP), deixou uma filha e era apontada como uma amiga presente.
Gisele trabalhava desde os 17 anos, idade em que obteve um emprego como caixa em um supermercado, na zona leste. A policial foi criada e sempre morou na região do Jardim Romano, antes de se mudar com o marido para o centro da capital paulista.
Em entrevista ao Metrópoles, uma amiga da vítima contou que a policial sempre quis ter o próprio dinheiro e decidiu entrar para a corporação. A colega definiu Gisele como “centrada e determinada”.
Antes de morrer, a mulher estava feliz em poder ganhar mais e ter melhor qualidade de vida. Segundo pessoas próximas, ela “fazia o possível e o impossível” para cuidar da filha.
Com informações do Metrópoles







