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As autoridades de saúde alemãs informaram nesta quinta-feira (13/11) a detecção do vírus da poliomielite selvagem tipo 1 em uma amostra de esgoto na cidade de Hamburgo. Esta é a primeira vez que o poliovírus selvagem é encontrado na Europa desde 2010, acendendo um alerta sobre a vigilância da doença.

A poliomielite, conhecida como pólio ou paralisia infantil, pode causar paralisia permanente e até a morte. Embora seja prevenível por vacinação – e os casos globais tenham sido reduzidos em 99% desde 1988 –, não há cura para a doença. Os sintomas podem incluir febre, náusea, dor de garganta e abdominal, dor muscular, dor de cabeça e meningite. Cerca de uma em cada 200 infecções leva à paralisia irreversível, com até 10% desses casos sendo fatais.
Risco Baixo na Alemanha e Origem da Cepa

Apesar da detecção, o risco para a população alemã é considerado muito baixo, graças às altas taxas de vacinação no país e ao fato de a detecção ter sido isolada em águas residuais, sem relatos de infecção em pessoas. O último caso confirmado de poliomielite selvagem na Alemanha em um paciente foi registrado em 1992.

Segundo o Instituto Robert Koch (RKI), agência federal de saúde da Alemanha, a cepa encontrada no esgoto alemão está ligada à que circula no Afeganistão. Atualmente, a pólio selvagem é endêmica apenas no Afeganistão e no Paquistão.
Pólio Derivada da Vacina e Vigilância Global

Além da pólio selvagem, existe a forma derivada da vacina oral, que contém o vírus vivo enfraquecido. Após a vacinação, as crianças eliminam o vírus nas fezes por algumas semanas. Em comunidades com baixa cobertura vacinal, este patógeno pode sofrer mutações e retornar a uma versão nociva, causando centenas de casos por ano globalmente, principalmente em países como Iêmen e Nigéria. Na Europa, incluindo a Alemanha, a forma derivada da vacina (poliovírus tipo 2) tem sido detectada em amostras de esgoto desde o final do ano passado.

A detecção em Hamburgo reforça a importância dos programas de monitoramento de esgoto, como os realizados pelo RKI e pela Agência Alemã de Meio Ambiente, que testam continuamente amostras de águas residuais das principais cidades. Especialistas afirmam que a detecção é um sinal de que o sistema de vigilância está funcionando adequadamente.

Outras regiões consideradas livres da pólio selvagem já registraram detecções ou surtos importados. O Brasil, por exemplo, teve seu último caso de infecção por poliovírus selvagem em 1989.

Com informações de Metrópoles

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