Ministros João Paulo Capobianco e Waldez Góes sobrevoaram as áreas mais atingidas pelo fogo neste domingo. (Foto: Rodrigo Hanna/MIDR)

O Governo Federal anunciou que a assistência às comunidades atingidas pelos incêndios florestais no Amazonas não ficará restrita ao combate às chamas. Durante reunião realizada na manhã deste domingo (11), no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), em Manaus, o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, afirmou que a União está preparada para apoiar o Estado também com ajuda humanitária, transporte, combustível e outros recursos necessários para atender a população afetada pela emergência ambiental.

O encontro reuniu o governador Roberto Cidade, o vice-governador Serafim Corrêa, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, além de representantes dos órgãos estaduais e federais responsáveis pelo enfrentamento das queimadas.

A reunião do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais (Copec) ocorreu um dia após o Governo do Amazonas decretar situação de emergência em 36 municípios atingidos pelos incêndios florestais, medida reconhecida pelo Governo Federal ainda no sábado (10).

Durante a agenda, Waldez Góes destacou que as consequências dos incêndios exigem ações que ultrapassam o trabalho das equipes responsáveis por apagar o fogo.

“Já temos os efeitos do que aconteceu, já causou situações para comunidades atingidas e que precisam ser manifestadas, para que possamos entender que aquela comunidade precisa de ações para além de apagar o fogo, seja ajuda humanitária, com transporte, combustíveis, tudo o que o Governo Federal puder auxiliar”, afirmou o ministro.

Segundo os representantes federais, a Força Nacional de Defesa Civil permanece no Amazonas para auxiliar no planejamento do envio de ajuda humanitária, sob a coordenação da Defesa Civil estadual.

Roberto Cidade apresenta monitoramento dos incêndios e da fumaça

Durante a reunião, o governador Roberto Cidade apresentou aos ministros o sistema de monitoramento utilizado pelo Centro Integrado de Comando e Controle para acompanhar os focos de incêndio e a movimentação da fumaça no Amazonas.

De acordo com o governador, a estrutura permite identificar as áreas mais afetadas e acompanhar a direção dos ventos que transportam a fumaça para Manaus e outros municípios.

“Apresentamos o monitoramento realizado pelo Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), que nos permite identificar os principais focos de incêndio e acompanhar a direção dos ventos que levam a fumaça para Manaus e outras regiões do Amazonas”, explicou Cidade.

O governador ressaltou que o enfrentamento da emergência depende da atuação conjunta dos governos estadual, federal e municipais, além da colaboração da população para evitar novos focos.

“Este é um momento de união e de trabalho conjunto. Nosso principal objetivo é enfrentar os incêndios e proteger a população. Também precisamos da colaboração de todos, porque até um pequeno foco de queimada pode provocar uma situação delicada para todo o estado”, afirmou.

O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) também apresentou um balanço das operações realizadas na capital e no interior, com dados sobre focos combatidos, estrutura operacional e equipes mobilizadas.

Governo Federal disponibiliza 11 aeronaves e 300 brigadistas

Uma das principais medidas de reforço anunciadas durante a mobilização federal é a disponibilização de 11 aeronaves para apoiar as operações de combate aos incêndios florestais.

Segundo as informações apresentadas pelo Governo do Amazonas, seis aeronaves já estavam em Manaus, enquanto as demais tinham chegada prevista a partir deste domingo (11).

A estrutura inclui equipamentos de diferentes portes, destinados ao combate aéreo de focos de incêndio e ao transporte de equipes que atuam nas regiões atingidas.

O reforço também prevê a mobilização de 300 brigadistas vinculados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Esses profissionais atuarão em apoio às equipes estaduais e municipais, incluindo os bombeiros militares e brigadistas locais.

O ministro João Paulo Capobianco destacou que a operação exige coordenação entre diferentes instituições, especialmente diante das dificuldades logísticas enfrentadas na região amazônica.

“Estamos com um contingente muito grande e vamos fazer esse enfrentamento junto com o Governo do Estado, com as prefeituras e demais agentes públicos. A adesão da sociedade, o apoio da sociedade é fundamental”, afirmou Capobianco.

Ainda neste domingo, os ministros realizaram um sobrevoo pela Região Metropolitana de Manaus para acompanhar as condições das áreas atingidas.

Serafim Corrêa defende integração entre União, Estado e municípios

O vice-governador Serafim Corrêa também participou da reunião e agradeceu o apoio disponibilizado pelo Governo Federal.

Durante o encontro, Serafim destacou que a resposta à emergência ambiental depende da participação de todas as esferas administrativas.

“Para isso é fundamental a integração e o engajamento das autoridades municipais, estaduais e federais”, afirmou.

Os ministros reiteraram que o Governo Federal permanece à disposição para enviar pessoal, equipamentos e recursos adicionais, conforme as demandas identificadas e formalizadas pelos órgãos responsáveis.

Bombeiros apresentam balanço de mais de 21 mil focos combatidos

Durante a reunião, o Corpo de Bombeiros apresentou os resultados das operações de combate às queimadas realizadas desde junho.

Segundo os dados divulgados pelo Governo do Amazonas, entre 1º de junho e 9 de outubro, as equipes combateram 21.112 focos de incêndios urbanos e florestais.

Desse total, 4.360 foram registrados em Manaus e 16.752 no interior do estado. No período, foram contabilizadas 3.490 ocorrências.

Atualmente, cerca de mil profissionais, entre bombeiros militares e brigadistas, participam das operações estaduais.

A corporação também destacou a ampliação de sua estrutura no interior. Entre maio de 2025 e maio de 2026, o número de municípios com bases permanentes passou de 11 para 25.

O efetivo do Corpo de Bombeiros aumentou de 692 militares, em 2019, para 1.651 em 2026, após a realização de concurso público.

A frota operacional também foi reforçada. Com a entrega de cinco novas viaturas em 3 de outubro, o CBMAM passou a contar com 101 veículos operacionais.

Fiscalização contra queimadas é intensificada na Região Metropolitana

Além do combate direto aos incêndios, o Governo do Amazonas informou que ampliou as operações de fiscalização para coibir o uso irregular do fogo.

Na sexta-feira (9), a operação Tamoiotatá iniciou uma nova etapa de ações de campo na Região Metropolitana de Manaus, com reforço das equipes nos municípios de Manaquiri, Autazes, Careiro Castanho e Careiro da Várzea.

A operação teve início em 23 de fevereiro de 2026 e abrange 13 municípios.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apresentados pelo Governo do Estado, foram identificados 782 focos de calor no Amazonas entre 1º de setembro e 8 de outubro.

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) mantém equipes de fiscalização distribuídas em dois eixos.

O primeiro abrange Iranduba, Manaus, Manacapuru e Novo Airão. O segundo contempla Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Silves, Itapiranga e Itacoatiara.

As equipes utilizam drones e viaturas equipadas com internet via satélite Starlink para ampliar o monitoramento em regiões com dificuldades de comunicação.

Quando são constatadas irregularidades ambientais, o órgão pode aplicar multas, embargos e outras medidas administrativas previstas na legislação.

Emergência em 36 municípios terá duração de 180 dias

O Decreto Estadual nº 55.751, publicado no sábado (10), estabeleceu situação de emergência por 180 dias nas áreas dos municípios atingidos pelos incêndios florestais.

A medida considera as condições climáticas adversas, com previsão de temperaturas elevadas e chuvas abaixo da média, fatores que favorecem a propagação das queimadas.

O reconhecimento federal da emergência permite ao Estado solicitar recursos para ações de resposta, assistência humanitária e restabelecimento de serviços essenciais, conforme os procedimentos da Defesa Civil Nacional.

O Amazonas também está sob período proibitivo para o uso do fogo, estabelecido pelo Decreto Estadual nº 55.339, de 9 de setembro de 2026, com duração de 120 dias, ressalvadas as exceções legais.

O Governo do Estado mantém ainda o Plano Estadual de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas (PPCDQ), instituído pelo Decreto nº 55.338, que reúne medidas de fiscalização, prevenção, recuperação ambiental e conservação dos recursos naturais.

Com a mobilização de aeronaves, brigadistas e equipes de fiscalização, os governos federal e estadual buscam conter os incêndios e reduzir os impactos da fumaça sobre a população. A assistência às comunidades afetadas também passa a integrar as prioridades da força-tarefa, conforme destacado pelos ministros durante a reunião deste domingo.

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