
O publicitário Thiago Miranda foi alvo de medidas de busca e apreensão e busca pessoal nesta quinta-feira (9), durante a 10ª fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master.
As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da Polícia Federal (PF) e manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Na decisão, o ministro permitiu que os investigadores recolhessem documentos físicos e arquivos eletrônicos, incluindo contratos, notas fiscais, registros contábeis, comprovantes bancários, agendas, recibos, ordens de pagamento e instrumentos societários que possam ter relação com os fatos sob investigação.
A autorização também alcança a extração e apreensão de dados telefônicos e telemáticos armazenados em equipamentos eventualmente recolhidos durante o cumprimento dos mandados. Entre os dispositivos estão celulares, computadores, tablets, HDs externos, pen drives, cartões de memória e chips, além de mensagens, e-mails e conteúdos mantidos em serviços de nuvem.
Apesar da amplitude das medidas, Mendonça determinou que o acesso fique restrito às informações relacionadas à investigação. A decisão proíbe consultas de caráter “prospectivo, genérico ou desvinculado” dos fatos apurados.
O que significa busca pessoal?
A busca pessoal autoriza os agentes a revistarem o investigado durante o cumprimento da ordem judicial, caso exista suspeita de que ele esteja portando documentos, valores, celulares, equipamentos eletrônicos ou outros elementos considerados relevantes para a apuração.
De forma excepcional, o ministro também autorizou revistas em terceiros presentes nos locais onde os mandados forem cumpridos. A medida, porém, depende da existência de suspeita concreta de que essas pessoas estejam escondendo objetos, documentos, dinheiro, dispositivos ou dados relacionados ao caso.
Nova fase apura suposta organização criminosa
A 10ª fase da Operação Compliance Zero investiga a possível atuação de uma organização criminosa que, segundo as apurações, teria promovido intimidação de jornalistas, monitoramento ilícito de pessoas ligadas a autoridades públicas, obtenção indevida de informações sigilosas e ações destinadas a interferir em investigações criminais.
No âmbito da operação, foram autorizados dois mandados de busca e apreensão em Brasília. Conforme os elementos apresentados pelos investigadores, Daniel Vorcaro teria utilizado recursos provenientes de supostas fraudes relacionadas ao banco liquidado para financiar uma campanha de desinformação na mídia.
PF apura recrutamento de influenciadores
Thiago Miranda é apontado na investigação como supostamente envolvido no recrutamento de influenciadores digitais para participar do chamado “Projeto DV”.
De acordo com os investigadores, a iniciativa teria sido estruturada para defender interesses ligados ao Banco Master e tentar comprometer a credibilidade da atuação do Banco Central (BC).
A Polícia Federal sustenta ainda que Vorcaro e Miranda teriam oferecido valores de até R$ 2 milhões a influenciadores para participação na estratégia investigada.
As apurações continuam, e os fatos atribuídos aos envolvidos permanecem sob investigação, sem prejuízo do direito de defesa e da presunção de inocência.







