
A preocupação com a saúde faz parte do instinto de autopreservação — é ela que leva alguém a procurar um médico diante de um sintoma novo ou a realizar exames preventivos. O problema surge quando essa cautela deixa de ser funcional e passa a dominar o pensamento, gerar sofrimento constante e interferir na vida cotidiana.
Segundo o psiquiatra Oswaldo Petermann Neto, da Doctoralia, o limite entre cuidado e transtorno está no impacto. “Preocupar-se com a saúde é normal e até saudável. O problema começa quando essa inquietação fica excessiva, constante e passa a atrapalhar a vida da pessoa”, afirma. Para o especialista, o sinal de alerta surge quando, mesmo após exames normais e avaliações médicas tranquilizadoras, a pessoa permanece convencida de que pode ter uma doença grave.
Transtorno de ansiedade de doença: o que é e como se manifesta
O chamado transtorno de ansiedade de doença — conhecido anteriormente como hipocondria — é marcado pelo medo persistente de estar doente, mesmo sem evidências clínicas. Sintomas comuns, como dor de cabeça ou palpitações, passam a ser interpretados como sinais de algo grave.
O psiquiatra Luiz Fernando Petry, também da Doctoralia, explica que o diagnóstico envolve persistência. “A preocupação cruza a linha para um transtorno quando se mantém por pelo menos seis meses, é excessiva em relação à realidade e causa sofrimento intenso ou interfere na vida diária”, detalha.
Entre os sinais mais comuns estão:
- Consultas médicas repetidas sem indicação clínica
- Busca obsessiva por informações na internet
- Insatisfação constante com resultados normais
- Monitoramento frequente e compulsivo do próprio corpo
Vigilância saudável ou comportamento compulsivo?
Nem toda atenção à saúde é patológica. Uma pessoa atenta realiza exames quando necessário, aceita os resultados e segue a rotina normalmente. No comportamento compulsivo, a necessidade de checagem é constante — medir a pressão várias vezes ao dia, consultar múltiplos especialistas e repetir exames sem indicação médica.
Um dos sinais mais claros do transtorno é a incapacidade de conviver com a incerteza: a ausência de certeza absoluta gera angústia intensa e mantém o ciclo de preocupação ativo.
“Cybercondria”: o papel das redes sociais
A exposição contínua a conteúdos médicos nas redes sociais tem ampliado o quadro. Sintomas comuns, pesquisados fora de contexto, podem parecer indícios de doenças graves — fenômeno que ganhou o nome de cybercondria.
Para Petermann Neto, o excesso de informação, especialmente quando sensacionalista, reforça o medo e aumenta a hipervigilância corporal. “Em vez de aliviar, a pesquisa online alimenta a ansiedade e fortalece crenças distorcidas”, alerta.
O psicólogo Vladimir Melo, que atende em Brasília, acrescenta que a preocupação excessiva com a saúde costuma estar associada a pensamentos obsessivos e intrusivos e, com o tempo, prejudica relações pessoais e o desempenho profissional. Em alguns casos, segundo ele, a preocupação funciona como deslocamento de outras angústias não enfrentadas.
Tratamento e superação
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é considerada a abordagem mais eficaz contra a hipocondria. A técnica ajuda o paciente a reinterpretar sensações corporais, questionar pensamentos catastróficos e reduzir gradualmente a necessidade de checagem compulsiva.
Os especialistas reforçam que buscar avaliação profissional é o passo mais seguro quando a ansiedade com a saúde começa a dominar pensamentos, comprometer relações ou impedir decisões cotidinas. Com acompanhamento adequado — psicoterapia e, em alguns casos, medicação — é possível interromper o ciclo de checagem, medo e alívio temporário que sustenta o transtorno.
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é considerada a abordagem mais eficaz contra a hipocondria. A técnica ajuda o paciente a reinterpretar sensações corporais, questionar pensamentos catastróficos e reduzir gradualmente a necessidade de checagem compulsiva.
Os especialistas reforçam que buscar avaliação profissional é o passo mais seguro quando a ansiedade com a saúde começa a dominar pensamentos, comprometer relações ou impedir decisões cotidinas. Com acompanhamento adequado — psicoterapia e, em alguns casos, medicação — é possível interromper o ciclo de checagem, medo e alívio temporário que sustenta o transtorno.
Com informações de Metrópoles







