Reprodução/TJSP

Simone da Silva, de 42 anos (imagem em destaque), teria atuado para defender o piloto Sérgio Antônio Lopes, de 60, após a revelação dos abusos sexuais contra crianças e adolescentes atribuídos a ele. Segundo apurado, a participação dela extrapolou contatos pontuais com as vítimas e passou a integrar um conjunto de ações como tentativas de silenciamento, monitoramento e interferência na apuração.

Um dos oito mandados de busca e apreensão, cumpridos pela 3ª Delegacia de Combate à Pedofilia, na segunda-feira (9/2), foi direcionado à casa de Simone, na zona leste paulistana, que acabou presa em flagrante, após policiais civis localizarem conteúdo de pornografia infantil no celular dela.

Sérgio e Denise Moreno, avó de duas das adolescentes apontadas como vítimas, de 53, também foram detidos no mesmo dia, mas por meio de mandados de prisão temporária, expedidos pela Justiça. A defesa do trio não foi localizada, e o espaço segue aberto para manifestações.

Amiga de Sérgio

Simone entrou em cena quando a mãe de uma das vítimas passou a receber mensagens que, sob aparência informal, buscavam medir o grau de conhecimento da família sobre os crimes. A interlocutora se apresentou como “amiga” de Sérgio e, em seguida, passou a insistir para que ele não fosse denunciado, sugerindo que “seria melhor deixar isso de lado”.

Em outra frente, como apurou a reportagem, mensagens semelhantes chegaram diretamente à uma vítima, com o argumento de que insistir na denúncia poderia “ser ruim” para ela e a família da jovem.

A linha usada nas abordagens foi identificada como a usada por Simone da Silva. Além da defesa verbal do piloto, ela acabou presa em flagrante por manusear e encaminhar material sensível, identificado na segunda-feira com ela.

Armazenamento dos crimes

Metrópoles apurou que foi ela quem enviou à mãe de uma vítima fotos e vídeos com cenas de abuso sexual, conteúdo que motivou uma denúncia ao Ministério Público de São Paulo (MPSP). O envio indica que Simone teve acesso direto ao material ilícito, o que amplia o escopo de sua atuação e sugere possível armazenamento e compartilhamento de pornografia envolvendo menores.

Simone seria próxima de Sérgio Antônio Lopes, mantendo contato frequente e atuando publicamente na defesa dele após a exposição do caso, como apurado pela reportagem. A filha dela, uma adolescente, seria uma das vítimas do piloto até o momento identificadas, totalizando sete.

No mesmo processo, surge o nome de Denise Moreno, avó de duas das adolescentes apontadas como vítimas. Ex-inspetora escolar, ela é considerada pela polícia como figura central na facilitação e exploração sexual das netas.

As ações atribuídas a Simone — como defesa do piloto e pressão psicológica — ocorreram em paralelo à atuação de Denise e de Sérgio, compondo, segundo as investigações, um ambiente de apoio e tentativa de neutralização de denúncias.

Com base nesses elementos, a Polícia Civil pediu a expedição de mandados de busca e apreensão contra Simone, além da quebra de sigilo telemático, para localizar celulares, mídias e registros que possam esclarecer a extensão de sua participação e os vínculos com Sérgio Antônio Lopes, Denise Moreno e demais investigados — que tiveram os nomes mantidos em sigilo, da mesma forma que a apuração sobre a rede criminosa.

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