Da esquerda para a direita, as advogadas Giselle Falcone, Grace Benayon e Carmem Romero, e os advogados Marco Aurélio Choy, Carlos Alberto Ramos Filho e Aniello Aufiero, integrantes da lista sêxtupla do Quinto Constitucional do TJ-AM.

Após meses de disputas judiciais, impugnações e sucessivos adiamentos, o processo para escolha do novo desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) pelo Quinto Constitucional entra, nesta terça-feira (11), em uma de suas etapas decisivas. Os desembargadores da Corte vão escolher, entre seis advogados, os três nomes que formarão a lista tríplice a ser encaminhada ao governador Roberto Cidade (União), responsável pela decisão final.

As informações são de matéria do jornalista Omar Gusmão, de A Crítica, publicada nesta segunda-feira (10).

A votação também carrega um componente histórico: é a primeira disputa do Quinto Constitucional no Amazonas realizada sob a regra de paridade de gênero. A lista sêxtupla encaminhada pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM) reúne três mulheres e três homens: Giselle Falcone, Grace Benayon, Carmem Romero, Marco Aurélio Choy, Carlos Alberto Ramos Filho e Aniello Aufiero.

A sessão ocorre quase um ano depois da abertura da vaga deixada pela aposentadoria do desembargador Domingos Jorge Chalub, em agosto de 2025.

Escolha no Dia do Advogado e do Magistrado

Segundo A Crítica, o presidente do TJ-AM, desembargador Jomar Fernandes, escolheu especialmente o dia 11 de agosto para a votação por ser a data em que são celebrados tanto o Dia do Advogado quanto o Dia do Magistrado.

O simbolismo está diretamente relacionado ao Quinto Constitucional: ao final do processo, um integrante da advocacia passará a ocupar uma cadeira como magistrado no Tribunal de Justiça.

O Quinto Constitucional está previsto na Constituição Federal e reserva um quinto das vagas de determinados tribunais a integrantes da advocacia e do Ministério Público, diferentemente dos magistrados de carreira que ingressam por concurso.

Processo atravessou meses de batalhas judiciais

O caminho até a votação desta terça-feira foi marcado por uma sequência de controvérsias.

O processo teve início em setembro de 2025, com a publicação do edital da eleição. A consulta à advocacia estava inicialmente prevista para dezembro, mas foi suspensa após uma ação do advogado Taquer Junio Queiroz Ribeiro questionar a elegibilidade de Grace Benayon, sob o argumento de que a candidata não preencheria o requisito de dez anos ininterruptos de exercício da advocacia.

Depois da retomada, uma nova ação, desta vez apresentada pela advogada Caroline Ribeiro Frota Moreira, voltou a interferir no calendário. Ela apontava supostas irregularidades na condução do processo eleitoral pela OAB-AM.

Superados esses questionamentos, a consulta direta aos advogados somente ocorreu em 14 de maio de 2026.

Mas a votação não encerrou a controvérsia.

Carmem Romero foi alvo de quatro impugnações

Após a consulta, quatro impugnações foram apresentadas contra a candidatura de Carmem Romero, terceira colocada na votação da advocacia.

Conforme relatado por A Crítica, a Comissão do Quinto Constitucional da OAB-AM reconheceu algumas infrações às regras da campanha, entre elas abuso de poder midiático e outras irregularidades eleitorais. Foram aplicadas multas que, somadas, corresponderam ao equivalente a 33 anuidades da OAB-AM.

Apesar das penalidades, a candidatura de Carmem foi mantida na lista sêxtupla.

Outro capítulo da judicialização ocorreu quando a advogada Adriane Cristine Cabral Magalhães ingressou com mandado de segurança na Justiça Federal buscando anular a homologação da lista. O argumento apresentado foi de que os nomes teriam sido encaminhados ao TJ-AM antes da conclusão definitiva do julgamento das impugnações.

A ação ainda provocou discussão sobre qual vara federal seria competente para analisar o processo, prolongando o impasse.

Giselle Falcone chega à votação após ser a mais votada pelos advogados

Entre os seis candidatos, Giselle Falcone chega à etapa do TJ-AM depois de ter sido a candidata mais votada na consulta realizada entre os advogados.

Em declaração publicada por A Crítica, ela afirmou receber o resultado como uma demonstração de confiança da categoria.

“Recebi com muita gratidão o resultado da votação da advocacia. Ter sido a candidata mais votada entre todos os concorrentes, com uma votação tão expressiva, foi uma demonstração de confiança que me emocionou e, ao mesmo tempo, aumentou muito a minha responsabilidade”, declarou.

Giselle disse esperar integrar a lista tríplice, mas ressaltou que a decisão agora pertence aos desembargadores.

“Recebo esse momento com serenidade, respeito institucional e confiança de que cada integrante do Tribunal fará sua avaliação de forma livre e consciente”, afirmou.

A advogada também lembrou já ter passado por processos de votação dentro do TJ-AM quando exerceu a função de juíza do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), na classe dos juristas.

Segundo Giselle, em três ocasiões foi a mais votada pelo TJ-AM na formação de listas tríplices para o TRE.

Candidatos visitaram gabinetes dos desembargadores

Outro aspecto dos bastidores da disputa são as visitas dos candidatos aos gabinetes dos desembargadores.

A prática, segundo a reportagem, é tradicional em processos dessa natureza e permite aos concorrentes entregar memoriais e currículos, além de apresentar suas trajetórias profissionais aos integrantes da Corte.

Grace Benayon confirmou ter participado dessas conversas.

“Todos os candidatos visitaram os gabinetes e fui muito bem recebida pelos desembargadores e desembargadoras, que conhecem minha longa trajetória profissional como advogada (35 anos) e como mulher de Ordem (16 anos)”, afirmou.

Grace também destacou o simbolismo do dia 11. Ela escolheu o número 11 durante a consulta à advocacia justamente em homenagem à data dedicada à profissão.

Sobre a possibilidade de chegar à lista tríplice, evitou antecipar o resultado.

“Não sei se integrarei a lista tríplice, mas estou muito feliz por ter participado de uma eleição com paridade de gênero”, declarou.

Giselle Falcone também confirmou ter solicitado encontros com os integrantes da Corte e afirmou considerar o diálogo parte do processo para que os desembargadores conheçam a trajetória dos candidatos.

De acordo com A Crítica, os demais integrantes da lista sêxtupla foram procurados pelo veículo, mas não responderam até o fechamento da reportagem.

Vaga tem salário-base superior a R$ 41 mil

Além do peso institucional do cargo, a disputa envolve uma posição com estrutura própria dentro do Tribunal.

Segundo os dados apresentados pela reportagem de A Crítica, o subsídio-base de um desembargador é de R$ 41.845,49, ao qual podem ser acrescidos benefícios e verbas previstas legalmente.

Os magistrados também contam com gabinete e equipe de assessores e assistentes para auxiliar na elaboração de votos, decisões, despachos e no acompanhamento dos processos.

Decisão final será de Roberto Cidade

A votação desta terça-feira não encerra a disputa.

Os desembargadores do TJ-AM reduzirão de seis para três o número de concorrentes. A lista tríplice será, então, encaminhada ao governador Roberto Cidade, a quem caberá escolher um dos três nomes para ocupar definitivamente a cadeira deixada por Domingos Jorge Chalub.

A sessão, portanto, representa a etapa que definirá quais candidatos chegarão à decisão política final depois de um processo iniciado em 2025 e marcado por uma das disputas mais judicializadas do Quinto Constitucional no Amazonas.

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