O adiamento da apresentação do relatório da reforma da Previdência deve empurrar para depois do feriado de Corpus Christi (20) a votação do texto na comissão especial. Segundo o presidente do colegiado, Marcelo Ramos (PR-AM), não há como pautar a proposta para a próxima semana devido ao provável esvaziamento da Casa em decorrência do feriado e dos festejos juninos.
O relator da reforma, Samuel Moreira (PSDB-SP), adiou desta terça para quinta-feira a apresentação de seu parecer. “Na quinta ele lerá o relatório. Concederemos vistas para a segunda e a terça-feira da semana que vem. Na quarta não haverá sessão na Câmara. Votação, portanto, só na semana seguinte”, disse Marcelo ao site Congresso em Foco.
O deputado acredita que a principal divergência em torno da proposta atualmente – a eventual exclusão de estados e municípios da reforma – deve ser contornada na reunião prevista para amanhã entre o relator e governadores. “Esse é o grande nó do relatório hoje. Resolvido isso, o relatório estará pronto”, afirmou.
Moro deveria se afastar do cargo
Marcelo Ramos se encontrará com representantes de partidos de oposição nesta terça-feira. Segundo ele, será uma oportunidade para medir a reação dos oposicionistas às suspeitas de que o ministro da Justiça, Sergio Moro, orientou integrantes da força-tarefa da Lava Jato quando era juiz.
“Eu creio que isso não contaminará a votação da reforma. Mas só vou conversar com eles”, afirmou o deputado. Para ele, o ministro da Justiça deveria se afastar do cargo enquanto perdurarem as suspeitas. “É algo gravíssimo porque atenta contra o fundamento do Estado democrático de direito. Acho que o ministro Moro deveria pedir afastamento”, declarou.
Para Ramos, que é advogado e professor de Direito Constitucional, o afastamento de Moro não só seria a melhor atitude para não tumultuar ainda mais a discussão da reforma da Previdência, mas também garantiria “liberdade de investigação” à Polícia Federal, uma vez que o ministro controla a PF.
“Diferente dele (Moro), não adéquo minha interpretação da lei conforme o acusado. Não vejo nenhuma imposição constitucional que justifique o afastamento. Mas penso que, como refém do próprio discurso, ele deveria pedir afastamento voluntário”, disse o deputado.







