Rodrigo Leonardo de Lima Alcântara, conhecido como “Rei da Sucata”, foi preso neste sábado (7) no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, enquanto fazia compras em uma loja da Cartier. Ele é investigado por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho (CV).

De acordo com a Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rodrigo teria utilizado uma empresa do setor de metais para transferir aproximadamente R$ 4,6 milhões a um homem apontado como operador financeiro de Antônio Ilário Ferreira, conhecido como “Rabicó”, investigado por atuar na movimentação financeira da facção.

As apurações indicam que Rodrigo exercia, na prática, a administração de uma empresa de fundição de metais não ferrosos, embora o negócio estivesse formalmente registrado em nome do pai dele, que também foi preso em maio deste ano.

Investigação identificou milhões em transferências

A análise de Relatórios de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou repasses da empresa para contas vinculadas ao suposto operador financeiro de Rabicó.

As movimentações ocorreram entre abril de 2023 e setembro de 2024 e totalizaram cerca de R$ 4,6 milhões.

Os investigadores também identificaram aproximadamente R$ 1,6 milhão em transferências para contas relacionadas a outras empresas que, segundo a polícia, fariam parte do mesmo circuito financeiro.

De acordo com a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), empresas dos segmentos de reciclagem, sucata e metais teriam sido utilizadas para movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas.

O esquema investigado envolveria depósitos em dinheiro fracionados, contas bancárias utilizadas como passagem de recursos e transferências entre pessoas físicas e jurídicas sem relação econômica aparentemente compatível.

Estrutura teria movimentado mais de R$ 453 milhões

A investigação integra o trabalho financeiro que fundamentou uma das fases da Operação Contenção, deflagrada em 29 de maio deste ano. Na ocasião, os investigadores identificaram movimentações superiores a R$ 453 milhões, e 24 pessoas foram presas.

Rodrigo não foi localizado naquela etapa e permaneceu foragido. Segundo a Polícia Civil, durante esse período ele chegou a deixar o Brasil e permaneceu nos Estados Unidos. O investigado também constava na lista de Difusão Vermelha da Interpol.

Após cinco meses de trabalho de inteligência e monitoramento, agentes da DRE e do Grupo de Segurança Institucional do Ministério Público de Minas Gerais (GSI/MPMG) identificaram o retorno de Rodrigo ao Brasil, no início de outubro, e acompanharam seus deslocamentos até localizá-lo em São Paulo.

Prisão ocorreu em operação conjunta

A captura foi realizada por agentes da DRE, em ação conjunta com o GSI/MPMG e apoio do Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Após a prisão, Rodrigo Alcântara foi apresentado ao Departamento de Operações Policiais Estratégicas (DOPE), na 1ª Delegacia de Polícia de Capturas da Polícia Civil de São Paulo, onde foram adotadas as providências legais relacionadas ao cumprimento das ordens judiciais.

O investigado passou por exame médico-legal e, posteriormente, foi apresentado ao Poder Judiciário.

As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos, além de empresas, bens e valores relacionados ao esquema de lavagem de dinheiro.

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