
Novos documentos e prints que circulam nas redes sociais acrescentam detalhes dramáticos ao caso de Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, que morreu após receber adrenalina administrada de forma equivocada no Hospital Santa Júlia, em Manaus. Além das mensagens que mostram a médica pedindo ajuda desesperadamente, um relatório oficial enviado à Polícia Civil confirma que Juliana Brasil Santos reconheceu ter prescrito a medicação de maneira incorreta.
De acordo com o documento, a própria médica admitiu que comunicou à mãe do menino que o medicamento deveria ser administrado por via oral, revelando surpresa ao perceber que a equipe de enfermagem não questionou a prescrição. No entanto, o prontuário mostra que a adrenalina acabou sendo aplicada diretamente na veia, o que provocou uma reação imediata e grave na criança.
Outro relatório, elaborado pela UTI Pediátrica, confirma a entrada de Benício com quadro compatível com “administração errônea de adrenalina intravenosa”. O documento relata que o menino apresentou taquicardia, palidez intensa, dificuldade respiratória e sinais compatíveis com “infecção por drogas que afetam o sistema nervoso”, indicando o impacto sistêmico da substância aplicada inadequadamente.

Conversas mostram momento de pânico
Os prints atribuídos à médica Juliana também revelam um pedido desesperado de socorro durante a piora do menino. Nas mensagens, ela escreve:
- “Prescrevi inalação com adrenalina e acabaram fazendo EV.”
- “Paciente tá passando mal. Ficou todo amarelo. Pelo amor de Deus. Pede pra alguém da UTI descer urgente. Eu errei a prescrição.”
- “Me ajudaaa. Paciente rebaixou. Tá pálido, todo amarelo.”
As mensagens, porém, ainda não fazem parte do inquérito policial. O delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), informou que a autenticidade será analisada.
“Esses prints não estão no inquérito policial. Eles não estão juntados oficialmente. Vamos averiguar a veracidade nesta semana”, declarou.
Relato da família
O pai do menino, Bruno Freitas, afirmou que levou Benício ao hospital por causa de tosse seca e suspeita de laringite. Segundo ele, a médica prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, sendo 3 ml a cada 30 minutos.
A família diz ter estranhado imediatamente a prescrição.
“Meu filho nunca tinha tomado adrenalina pela veia, só por nebulização. Nós perguntamos, e a técnica disse que também nunca tinha aplicado por via intravenosa. Falou que estava na prescrição e que ia fazer”, relatou o pai.
Bruno conta que logo após a primeira aplicação, o menino apresentou piora súbita, entrando em colapso clínico.
Investigação continua
A Polícia Civil segue apurando os fatos, incluindo a cadeia de responsabilidades, os protocolos adotados, as circunstâncias da prescrição e a autenticidade das mensagens que vazaram. O caso segue em diligência, com novos documentos sendo anexados ao inquérito.







