
A ameaça de uma nova paralisação no transporte coletivo de Manaus ganhou contornos definitivos nesta quarta-feira (5). Após sucessivos atrasos salariais, cerca de 7 mil trabalhadores do transporte rodoviário decidiram manter a paralisação de 70% da frota de ônibus da capital a partir desta quinta-feira (6), caso as empresas concessionárias não regularizem o pagamento dos salários até o fim do dia.
Em entrevista exclusiva ao Portal Fato Amazônico, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Manaus (STTRM), Givancir Oliveira, afirmou que a categoria chegou ao limite e não aceitará mais atrasos nos vencimentos.
“Tá confirmada a greve. O sindicato anunciou com 10 dias de antecedência, caso essa vergonha e a intransigência continuassem. A categoria não aceita mais um dia, uma hora, um minuto de atraso de pagamento. O recado que eles passam é que criem vergonha na cara, respeitem quem trabalha, respeitem quem produz”, declarou.
A paralisação foi aprovada durante assembleia da categoria e deverá atingir 70% da frota de ônibus urbanos, percentual previsto para garantir o funcionamento mínimo do serviço essencial, conforme determina a legislação.
“Vai faltar comida na mesa do trabalhador”
Durante a conversa com a reportagem, Givancir também fez um apelo ao destacar a realidade enfrentada diariamente por motoristas, cobradores e demais profissionais do transporte coletivo.
Segundo ele, além das longas jornadas de trabalho, os trabalhadores convivem com o estresse do trânsito intenso e, ainda assim, precisam enfrentar a insegurança causada pelos constantes atrasos salariais.
“Não é justo você se acordar de madrugada, pegar essa lua, esse sol quente, ficar nesse trânsito escaldante, estressante, e chegar no dia do pagamento não ter pagamento. Nesse exato momento, vai faltar comida na mesa do trabalhador. É justo a pessoa trabalhar, produzir e não ter o pão na mesa? Não é justo, não!”, afirmou.
Categoria cobra solução imediata
O Sindicato informou que o aviso prévio de greve foi comunicado dentro do prazo legal de 10 dias e que, até o momento, nenhuma proposta concreta foi apresentada pelas empresas concessionárias nem pelos órgãos responsáveis para solucionar o impasse.
A entidade afirma que a paralisação poderá ser suspensa caso os salários sejam quitados ainda nesta quarta-feira. Caso contrário, a mobilização será iniciada nas primeiras horas da quinta-feira, reduzindo em 70% a circulação de ônibus em Manaus.
A nova crise ocorre menos de duas semanas após a última paralisação da categoria, reacendendo a preocupação de milhares de usuários do transporte público que dependem diariamente dos ônibus para trabalhar, estudar e acessar serviços essenciais.
Enquanto aguardam uma solução, os rodoviários reforçam que a reivindicação não é por reajuste salarial, mas pelo cumprimento de um direito básico: receber o salário em dia.







