Raphael Felice

A declaração racial adotada por candidatos nas eleições voltou ao centro do debate político na Bahia após o ex-ministro da Casa Civil e candidato ao Senado, Rui Costa (PT), criticar, sem citar diretamente o nome, a mudança de autodeclaração feita por ACM Neto (União Brasil) no registro de candidatura ao governo do estado.

Durante discurso em convenção partidária, Rui Costa afirmou que alguns políticos tratam a identidade racial de forma oportunista. “Em uma eleição é negro, em outra eleição é branco. Quem era negro ficou branco. Quem era branco ficou negro. Eles brincam com esse valor do ser humano”, declarou. O evento também contou com a presença do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que disputará a reeleição.

A crítica faz referência à mudança na autodeclaração racial de ACM Neto junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nas eleições de 2022, quando concorreu ao governo da Bahia, o ex-prefeito de Salvador registrou-se como pardo, decisão que gerou forte repercussão e críticas de adversários, que o acusaram de agir por conveniência.

Na época, ACM Neto afirmou que a autodeclaração refletia a forma como sempre se enxergou. Em vídeo divulgado durante a campanha, ele declarou que se considerava pardo e que essa percepção não havia surgido apenas naquele momento. Apesar disso, acabou derrotado por Jerônimo Rodrigues na disputa pelo Palácio de Ondina.

Levantamento realizado em 2022 com base nos dados do sistema DivulgaCand, da Justiça Eleitoral, mostrou que ACM Neto também havia se declarado pardo nas eleições municipais de 2016, quando foi reeleito prefeito de Salvador.

Para as eleições de 2026, no entanto, o candidato antecipou que faria uma nova alteração no registro. Em entrevista concedida em abril, ACM Neto reconheceu que a escolha feita em 2022 foi um erro, negou ter buscado qualquer vantagem eleitoral e informou que passaria a se autodeclarar branco para evitar novas controvérsias durante a campanha.

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