
A Rússia reagiu veementemente neste sábado, 14/2, às acusações de que teria envenenado Alexei Navalny, seu ex-opositor, classificando as alegações do Ocidente como “necropropaganda”. A declaração ocorre após um grupo de países europeus (Reino Unido, Suécia, França, Alemanha e Holanda) ter afirmado que exames confirmaram a presença de uma toxina fatal no corpo de Navalny.
A “necropropaganda”, termo utilizado pela Rússia, refere-se à exploração da morte de indivíduos para fins políticos ou midiáticos, buscando manipular sentimentos e a opinião pública.
Em nota divulgada pela Embaixada da Rússia no Reino Unido, o governo russo declarou que “não há razões para acreditar em ‘descobertas’ de ‘especialistas’ do Ocidente”, questionando a veracidade do exame citado pelos europeus. A Rússia traçou um paralelo com o caso Skripal, o ex-espião russo envenenado em 2018, onde também houve “acusações estridentes, histeria midiática, nenhuma prova” e questionamentos ignorados. “Então, o que foi afinal — veneno da pele de um sapo sul-americano ou Novichok?”, indaga o comunicado, ironizando as inconsistências percebidas por Moscou.
A Rússia considerou “realmente chocante” o método adotado pelos políticos ocidentais, afirmando que a “necropropaganda” não se trata de justiça, mas da banalização dos mortos. “Mesmo depois da morte de um cidadão russo, Londres e as capitais europeias não podem permitir que ele descanse em paz — algo que diz muito sobre aqueles que instigam esta campanha”, pontuou o governo russo.
Detalhes da Acusação Europeia e o Histórico de Navalny
De acordo com o documento europeu, exames teriam indicado que Navalny foi envenenado com epibatidina, uma toxina encontrada em sapos nativos da América do Sul.
Alexei Navalny, um dos principais críticos do presidente Vladimir Putin, havia sido condenado a 19 anos de prisão por acusações de terrorismo, financiamento de atividades extremistas e criação de organização extremista. Ele foi encontrado morto em fevereiro de 2024 na prisão onde cumpria sua pena na Rússia. Os países europeus signatários do documento afirmaram que, dado o fato de Navalny estar sob custódia russa, o país tinha “os meios, motivos e oportunidades para administrar o veneno”.
O Precedente do Caso Skripal
Em 2018, o Kremlin foi acusado de envenenar Serghei Skripal, um ex-espião russo que vivia em Londres e que havia sido condenado por “alta traição” na Rússia. Após receber perdão e ser incluído em uma “troca de espiões”, Skripal se refugiou no Reino Unido. Semanas após sua morte, a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW), a pedido do governo britânico, afirmou ter encontrado indícios de envenenamento por um agente nervoso de “alta pureza”, que, embora não nomeado explicitamente no relatório sigiloso da OPCW, correspondia à estrutura química do Novichok. O Novichok é um tipo de agente nervoso desenvolvido pela União Soviética e cuja existência foi revelada por um cientista dissidente no início dos anos 1990.
Com informações de Metrópoles







