Reprodução/Press TV

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou nesta quinta-feira (30/4), que a Rússia não apresentou qualquer proposta para a criação de um novo acordo internacional sobre o programa nuclear do Irã, nos moldes do JCPOA — Plano de Ação Conjunto Global, em português.

“Não, não é esse o caso”, disse Peskov ao ser questionado sobre a possibilidade de Moscou liderar uma alternativa ao acordo firmado em 2015 e abandonado pelos Estados Unidos anos depois.

A declaração ocorre após o presidente confirmar que discutiu o tema com o presidente russo, Vladimir Putin, durante uma conversa telefônica realizada na quarta-feira (29/4).

Segundo o republicano, Putin demonstrou interesse em atuar como mediador nas tensões envolvendo Teerã.

Apesar disso, o Kremlin evitou indicar qualquer iniciativa concreta nesse sentido. De acordo com Moscou, o diálogo entre os líderes teve caráter “profissional e amigável” e durou cerca de uma hora e meia, abordando também a guerra na Ucrânia.

O assessor presidencial russo, Yuri Ushakov, havia destacado, após a conversa entre os líderes, o interesse da Rússia em mediar esforços diplomáticos para uma resolução pacífica da crise.

“A Rússia está firmemente empenhada em fornecer toda a assistência possível aos esforços diplomáticos para encontrar uma solução pacífica para a crise e apresentou diversas propostas com o objetivo de resolver as divergências em torno do programa nuclear iraniano.”

Durante o encontro, Putin teria defendido soluções diplomáticas tanto para o conflito ucraniano quanto para a crise no Oriente Médio, incluindo o programa nuclear iraniano.

Plano de Ação Conjunto Global

Ainda assim, a fala de Peskov indica que, ao menos por ora, a Rússia não pretende avançar com uma proposta formal que substitua ou replique o JCPOA.

O acordo original, firmado entre potências mundiais e o Irã, previa limitações ao programa nuclear iraniano em troca da suspensão de sanções econômicas. A iniciativa entrou em colapso após a retirada unilateral dos EUA, o que elevou novamente as tensões na região.

Ao comentar a conversa com Putin, Trump afirmou que prioriza o fim da guerra na Ucrânia antes de qualquer outro esforço diplomático mais amplo. “Antes de você me ajudar, quero acabar com a sua guerra”, disse.

Peskov ressaltou que o cenário internacional segue marcado por múltiplos conflitos simultâneos, o que dificulta avanços rápidos por meio de iniciativas isoladas, como um telefonema entre líderes.

“Infelizmente, a concentração de conflitos é tão grande e as consequências de toda uma série de conflitos para a situação internacional, para a economia internacional, são tão graves que, obviamente, é muito difícil interromper essas tendências de uma só vez”, disse.

Com informações do Metrópoles.

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