
A secretária municipal do Meio Ambiente de Manicoré, Marta Regina, conhecida como Martinha, se pronunciou nas redes sociais nesta segunda-feira (15) após a operação da Polícia Federal, com apoio da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional de Segurança Pública, que resultou na destruição de 71 balsas utilizadas no garimpo ilegal em Manicoré e Humaitá, na calha do Rio Madeira, no Amazonas. A ação foi determinada pela Justiça Federal.
Martinha classificou a medida como “extrema” e disse que entende a revolta dos ribeirinhos, mas ressaltou que o município não tem poder para barrar operações federais.
“Nem o prefeito, nem os deputados, nem eu como secretária de Meio Ambiente temos autoridade para parar uma ação da Polícia Federal. Essa determinação partiu do Ministério Público Federal em agosto e apenas foi executada agora”, explicou.
Defesa da regularização
A secretária destacou que atua há anos em defesa da legalização do extrativismo mineral no Rio Madeira e que, mesmo à frente da pasta há apenas oito meses, acompanha de perto a luta dos ribeirinhos. Segundo ela, uma liminar chegou a ser protocolada com apoio da Defensoria Pública para evitar a queima das balsas, mas não foi acatada.
“Estamos lutando desde 2015 para que haja um garimpo legalizado, que permita às famílias ribeirinhas trabalharem sem serem tratadas como criminosos. Esse é o nosso objetivo”, afirmou.
Críticas e ameaças
Martinha disse ainda ter recebido críticas e ofensas após a operação, além de relatar que circulam ameaças contra brigadistas e moradores. “Esse tipo de intimidação é crime. Não me preocupo com ofensas pessoais, mas não aceito que trabalhadores que se dedicam ao meio ambiente sejam ameaçados”, disse.
Ela também questionou os impactos ambientais provocados pela ação. “Luto diariamente contra queimadas e poluição, e ver tanto óleo sendo despejado no rio e a fumaça cobrindo o céu é doloroso. É contraditório quando a própria polícia gera poluição”, lamentou.
Chamado à organização
Por fim, Martinha reforçou que a solução está na organização dos extrativistas e na busca pela legalização da atividade. “Enquanto não houver regularização, o garimpo continuará sendo tratado como crime. Precisamos transformar essa energia em união e levar nossa pauta até o Ministério do Meio Ambiente”, concluiu.
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