
A Polícia Civil do Amazonas prendeu, na segunda-feira (19), o segundo suspeito de envolvimento no estupro coletivo de uma adolescente indígena de 15 anos, ocorrido na zona rural de Itamarati, município localizado a cerca de 985 quilômetros de Manaus. O caso ganhou repercussão após gravações da violência sexual serem compartilhadas em grupos de WhatsApp.
O homem preso foi identificado como Rafael Kanamari, de 33 anos, apontado pelas investigações como um dos envolvidos no crime. O primeiro suspeito, conhecido como Zeca Bomba, havia sido detido no dia 9 de outubro, na comunidade Catitu, durante uma operação policial em uma área de difícil acesso.
Segundo informações divulgadas pelo jornal A Crítica em 19 de outubro, outros dois investigados, identificados como Carlinhos Kanamari e Isaías Kanamari, permanecem foragidos. A polícia continua as buscas e apura a participação individual dos envolvidos.
Crime foi registrado em vídeo
De acordo com as informações divulgadas durante a investigação, a violência ocorreu em 18 de setembro. O caso chegou às autoridades após uma mulher que não conhecia a adolescente ter acesso às gravações e procurar a polícia para denunciar o crime.
Os vídeos teriam sido compartilhados inicialmente em grupos de mensagens e, posteriormente, circularam em outras regiões do país, incluindo Rio de Janeiro e Brasília.
Nas gravações, os investigados teriam alegado que a violência seria uma espécie de “cobrança” contra a adolescente. Até o momento, não há esclarecimentos conclusivos sobre o significado da expressão ou sobre uma eventual motivação para o crime.
A divulgação das imagens também é investigada, diante da gravidade da exposição da vítima e da possível prática de outros crimes relacionados à produção e ao compartilhamento de conteúdo envolvendo violência sexual contra adolescente.
Investigação e assistência à vítima
Durante a apuração, a adolescente passou por escuta especializada e exames periciais. Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, os exames confirmaram a ocorrência de violência sexual.
A jovem, pertencente ao povo Kanamari, recebe acompanhamento psicológico no município de Itamarati. O atendimento busca garantir acolhimento e suporte diante das consequências da violência sofrida.
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) informou anteriormente que acompanha o caso e mantém articulação com órgãos responsáveis pelas políticas de saúde, assistência social e segurança pública, respeitando a necessidade de preservar a identidade e a privacidade da vítima.
Dificuldades nas buscas
A localização dos suspeitos representa um desafio para as equipes policiais devido às características geográficas da região e às dificuldades de deslocamento entre comunidades rurais.
A advogada Inory Kanamari, que acompanha o caso, também chamou atenção para as limitações estruturais da delegacia responsável pelas investigações. Segundo informações publicadas por A Crítica, a unidade de Itamarati conta com efetivo reduzido, situação que dificulta o trabalho policial e as diligências para localizar os investigados.
O caso também provocou discussões sobre a vulnerabilidade de mulheres e meninas indígenas diante da violência sexual e sobre as dificuldades de acesso à proteção e aos serviços públicos em comunidades afastadas dos centros urbanos.
As investigações continuam, e os suspeitos ainda respondem às acusações no âmbito do procedimento criminal. A responsabilização de cada envolvido dependerá da apuração dos fatos e das decisões da Justiça.
Como denunciar
Informações que possam contribuir para a localização dos investigados podem ser repassadas à Polícia Civil do Amazonas, pelo número 197, ou ao Disque-Denúncia da Secretaria de Segurança Pública, pelo 181.
Casos de violência contra crianças e adolescentes também podem ser denunciados pelo Disque 100. A identidade do denunciante pode ser preservada.







