Crédito: Fifa/Divulgação

O ataque racista de Mariano Rajoy contra a seleção da França gerou críticas de autoridades francesas e espanholas às vésperas da semifinal da Copa do Mundo de 2026. O ex-primeiro-ministro espanhol afirmou que a equipe francesa atua “em alto nível, mas sem franceses”, ao questionar a origem dos jogadores convocados para o Mundial. A declaração apareceu em uma coluna de opinião escrita por Rajoy para o jornal espanhol El Debate. Integrante do Partido Popular (PP), de direita, ele comandou o governo da Espanha entre 2011 e 2018. A informação foi publicada neste domingo (12) pelo Portal G1. 

No artigo, Rajoy reconheceu a força esportiva da França, bicampeã mundial e adversária da Espanha na próxima fase do torneio, mas acrescentou a afirmação discriminatória sobre a nacionalidade dos atletas. A seleção espanhola enfrentará a equipe francesa na terça-feira (14), por uma vaga na final da Copa do Mundo.

A declaração não corresponde à composição do elenco francês. Dos 26 jogadores convocados, 23 nasceram na França. Os outros três atletas também possuem nacionalidade francesa, embora tenham nascido fora do território do país.

A Embaixada da França em Madri reagiu ao comentário e destacou que todos os integrantes da seleção representam legalmente o país. “Todos os jogadores da seleção francesa são franceses. Dos 26 jogadores, 23 nasceram na França. Os três que nasceram no exterior são franceses também”, publicou a representação diplomática na rede social X.

Autoridades condenam declaração de Rajoy

O ministro espanhol dos Transportes, Óscar Puente, também criticou o ex-primeiro-ministro. Ao compartilhar o artigo nas redes sociais, Puente chamou Rajoy de “ignorante” e relacionou a declaração à ideia de que jogadores negros ou descendentes de imigrantes não poderiam ser considerados franceses.

A manifestação provocou ainda uma resposta do ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, que classificou a fala como incompatível com a identidade do país. “Se essa declaração é exata, é absolutamente inaceitável. Não reflete de maneira alguma o que é a França”, afirmou Nuñez em entrevista à emissora francesa BFM TV.

O ministro ressaltou que a sociedade francesa é formada por pessoas de diferentes origens e que a cidadania não pode ser condicionada à cor da pele, ao sobrenome ou à ascendência familiar.

“A França é um país diverso onde todos podem se desenvolver. Há uma França, simplesmente, que é uma República na qual todos devem poder encontrar o seu lugar”, declarou.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, também respondeu à declaração de Rajoy. Em uma mensagem publicada no X, ele afirmou que ainda existem pessoas que vinculam o pertencimento nacional “ao sobrenome, ao local de nascimento ou à cor da pele”.

“Outros o medimos pelo vínculo com um país e pela vontade de contribuir com ele. Jogando futebol. Cuidando de nossos idosos. Ou abrindo negócios”, escreveu Sánchez.

O chefe do governo espanhol acrescentou: “A Espanha é de quem a ama e trabalha por ela. Não de quem a envergonha com declarações xenófobas”.

Ao mencionar o confronto pela Copa do Mundo, Sánchez concluiu: “França, nos vemos nas semifinais. Que vença o melhor e que perca o racismo”.

Diversidade francesa é alvo recorrente

A diversidade étnica da seleção francesa tem sido utilizada há décadas por setores nacionalistas e da extrema direita para questionar a identidade dos jogadores. O debate ganhou força após a conquista da Copa do Mundo de 1998, quando atletas como Zinedine Zidane, Lilian Thuram, Marcel Desailly e Patrick Vieira integraram a equipe campeã.

Naquele período, o então líder da Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen, sustentava que jogadores negros ou descendentes de imigrantes não representariam a chamada “verdadeira França”. O discurso passou a acompanhar diferentes gerações da seleção, apesar de os atletas terem cidadania francesa e representarem oficialmente o país.

Senadora paraguaia

A declaração de Rajoy ocorreu depois de outros episódios racistas contra a França durante a Copa do Mundo de 2026. Uma semana antes, a senadora paraguaia Celeste Amarilla havia feito comentários ofensivos dirigidos ao atacante Kylian Mbappé e aos demais jogadores franceses.

Outro ataque partiu de Hebe Casado, vice-governadora da província argentina de Mendoza. Após uma partida entre França e Paraguai, ela chamou a seleção francesa de “equipe africana” e afirmou não suportar Mbappé.

O embaixador francês na Argentina, Romain Nadal, disse que o caráter racista das declarações era “inequívoco”. A representação diplomática decidiu impedir a participação da política em atividades organizadas pela embaixada ou vinculadas à cooperação bilateral. “Não há lugar para o racismo na cooperação franco-argentina”, afirmou Nadal.

Copa

A França jogará as semifinais da competição contra a Espanha na próxima terça-feira (14) em Dallas, nos Estados Unidos. No dia seguinte, Inglaterra e Argentina se enfrentam no Estádio de Atlanta, também nos EUA. 

Pela primeira vez a Copa do Mundo teve início com 48 equipes divididas em oito grupos de quatro equipes cada. 

Com informações do Brasil 247.

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