
O Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas (Sindarma) voltou a alertar, nesta sexta-feira (10), para a necessidade urgente de reforçar a segurança nos rios do Estado, após o ataque de piratas a um comboio que transportava combustíveis na comunidade Costa do Jatuarana, no Rio Amazonas.
De acordo com o sindicato, o episódio é mais um sinal da escalada de violência nas vias fluviais e expõe o risco constante a que estão submetidos os tripulantes e embarcações que operam no transporte de combustíveis.
O ataque
Na manhã de quinta-feira (9), piratas armados atacaram duas balsas de transporte de combustível na região. Durante a transferência ilegal de combustível entre embarcações, um incêndio foi provocado, destruindo parte da carga.
Segundo a Polícia Militar, os criminosos renderam a tripulação e os trancaram no camarote. Com o início do fogo, os assaltantes abandonaram as balsas e fugiram. Os tripulantes conseguiram escapar após arrombar a porta e liberar o empurrador principal, deixando o local em segurança.
O comboio transportava 700 mil litros de combustíveis — entre gasolina e diesel — e, por sorte, não houve feridos. A Polícia Civil do Amazonas já iniciou as investigações para identificar os responsáveis.
Alerta antigo
O Sindarma destacou que há mais de 10 anos vem alertando autoridades estaduais e federais sobre o risco de explosões e tragédias provocadas por ataques de piratas a embarcações de combustível.
Em reunião recente do Conselho da Indústria de Defesa da Amazônia (Condefesa Amazônia), realizada em Manaus no início do mês, o vice-presidente do sindicato, Madison Nóbrega, voltou a enfatizar a gravidade da situação.
“Com apoio da Marinha e das distribuidoras, os comboios de combustíveis passaram a navegar com escoltas armadas, o que reduziu o sucesso dos roubos. Mas as tentativas continuam diárias. O que nos preocupa são as trocas de tiros — se uma bala perfurar um tanque, teremos perda de vidas, explosões e uma tragédia ambiental de grandes proporções”, alertou Nóbrega.
Piratas cada vez mais armados
Segundo o dirigente, os piratas de rio atuam com armamento pesado, fuzis, metralhadoras e drones, enquanto as escoltas de segurança ainda enfrentam restrições legais para portar armamento compatível.
O Sindarma pretende solicitar autorização aos órgãos competentes para que as escoltas fluviais utilizem armas mais potentes, capazes de conter os ataques e proteger comboios civis.
“As balsas são feitas com casco duplo, o que evita vazamentos em colisões, mas são incapazes de resistir a tiros de grosso calibre. O que aconteceu na Costa do Jatuarana pode ser o início de algo muito mais grave”, reforçou o vice-presidente do sindicato.
Marinha
Em nota, o Comando do 9º Distrito Naval informou que o incêndio foi controlado, sem registro de poluição hídrica ou novos focos de fogo.
O Navio de Assistência Hospitalar Carlos Chagas, a lancha Mutirum, o Corpo de Bombeiros e agentes ambientais acompanharam o deslocamento das balsas até um ponto seguro, próximo a Manaus.
A Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental instaurou um Inquérito sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN) para apurar as causas do incêndio, enquanto os órgãos de segurança pública seguem com as investigações criminais.







