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Desde 2013, a Síndrome de Asperger deixou de existir como diagnóstico independente e passou a integrar o Transtorno do Espectro Autista (TEA), correspondendo atualmente ao chamado TEA nível 1 de suporte — ou seja, o indivíduo possui autonomia, mas enfrenta desafios na interação social.

Por que o termo Asperger foi unificado ao TEA?

Antigamente, o Asperger era identificado em pessoas sem atraso na fala ou deficiência intelectual, enquanto o autismo clássico costumava apresentar prejuízos mais severos na linguagem. Com a atualização dos manuais médicos, essa distinção foi eliminada.

“Asperger é uma nomenclatura antiga dentro do espectro autista”, explica a neuropediatra Marcela Toso. Hoje, o médico especifica apenas o nível de suporte necessário para cada caso, sem separar os diagnósticos por nomenclaturas antigas.

Sinais do TEA nível 1

Os sinais costumam aparecer na infância, mas muitos casos são identificados apenas na adolescência ou na vida adulta. As principais características incluem:

  • Dificuldade em entender regras sociais implícitas
  • Interpretação literal da linguagem, ignorando ironias e metáforas
  • Interesses muito restritos e intensos por temas específicos
  • Rigidez cognitiva e dificuldade em mudar rotinas
  • Sensibilidade sensorial aguçada a sons, luzes ou texturas
  • Dificuldade em manter contato visual ou usar gestos na comunicação

O subdiagnóstico em meninas

O TEA é mais diagnosticado em meninos, mas isso pode refletir um subdiagnóstico feminino. Meninas costumam praticar a chamada camuflagem social — adaptando comportamentos para se encaixar em grupos —, o que atrasa a identificação do quadro.

“Em meninas, pode haver camuflagem social, atrasando o diagnóstico”, ressalta a especialista.

O que causa o TEA?

O transtorno possui base genética e neurobiológica forte, com herdabilidade estimada entre 60% e 90%. Fatores ambientais pré-natais, como idade parental avançada e complicações na gestação, também são estudados.

A médica reforça um ponto importante:

“O TEA não é causado por vacinas, nem falta de afeto” — Marcela Toso

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é estritamente clínico, baseado na observação do comportamento, entrevistas detalhadas e critérios internacionais. Não existem exames de sangue ou imagem que confirmem a condição. O processo pode envolver uma equipe multidisciplinar com médicos, psicólogos e fonoaudiólogos.

O tratamento tem como objetivo:

  • Melhorar habilidades sociais
  • Reduzir a ansiedade diária
  • Desenvolver estratégias de regulação emocional
  • Aumentar a autonomia e o desempenho acadêmico ou profissional

Muitos adultos com TEA nível 1 têm vida funcional satisfatória quando recebem o suporte adequado. O diagnóstico precoce continua sendo a principal ferramenta para garantir qualidade de vida.

Com informações do portal Saúde em Dia

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