O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Amazonas (SINDUSCON-AM) comemorou os 47 anos de fundação com um jantar em Manaus. Empresários, engenheiros, trabalhadores e autoridades celebraram a data destacando o papel da entidade na transformação urbana e econômica do estado.

Hoje, o setor é responsável por mais de 3 milhões de empregos formais no Brasil, movimentou R$ 107 bilhões no PIB nacional apenas no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do SINAPI/IBGE. No Amazonas, a construção civil foi decisiva na expansão urbana de Manaus, na modernização da infraestrutura e no fortalecimento do mercado imobiliário

O presidente do Sinduscon, Frank Souza, ressaltou os desafios para viabilizar a atividade econômica diante de mudanças estruturais que impactam diretamente no planejamento financeiro das empresas, com reflexos no custo para os clientes.

“Hoje, enfrentamos uma série de questões como a adaptação à mudança da escala 6×1 e a necessidade de industrializar a construção civil. Se nós não conseguirmos industrializar, não conseguiremos reduzir o custo da mão de obra. Isso implica dizer que há previsão de um aumento de até 15% na ponta do imóvel ou de qualquer obra no setor da construção civil”, disse o presidente com preocupação.

O sindicato tem se mantido atento a questões como inovação, sustentabilidade, industrialização e até robotização para preparar as empresas para o futuro. O planejamento da atividade econômica é feito em conjunto com outras instituições e grupos de trabalho a fim de elaborar projetos e injetar investimentos com segurança de retorno do capital.

Para auxiliar o desenvolvimento com uma visão técnica, o Sinduscon-AM participa, por exemplo, do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano (CMDU) de Manaus, órgão responsável pela ordenação do espaço urbano, acompanhamento do Plano Diretor e deliberação de projetos e processos na capital.

“Nós temos assento no CMDU para acompanhar a expansão territorial da cidade; saber onde podemos implantar um empreendimento, em que área. Participamos de discussões para definir se a obra é de interesse social ou comercial; a que classe social se direciona o empreendimento. Nosso olhar é voltado para um vetor técnico e operacional” pontuou o presidente.

Mercado Imobiliário

O setor imobiliário é uma das áreas de grande atuação da construção civil. Com a expectativa da chegada de novas empresas ao Amazonas a partir da vigência integral da Reforma Tributária, os empresários estão otimistas quanto a grande procura por unidades habitacionais.

O presidente do Sinduscon-AM, no entanto, salienta que ainda há processos a serem desburocratizados para garantir a rapidez no andamento das obras tanto imobiliárias quanto de construções de grande porte como galpões de fábricas.

“No mercado imobiliário, crescemos a taxas de 30%, principalmente em habitação econômica, que representa 80% da produção. Já no setor de infraestrutura, precisamos desengargalar a mobilidade urbana e regularizar áreas para atrair novas empresas com a reforma tributária”, afirmou Frank.

O empresário Marco Bolognese compartilha do mesmo entusiasmo em relação ao aumento do número de canteiros de obras. “Com a Reforma Tributária, o que vem por aí é um volume absurdo de necessidade de galpões e logística. Novas empresas trarão empregos, e com emprego todos vão buscar a casa própria. A perspectiva é muito boa para Manaus, que já vem batendo recordes ano após ano. O Minha Casa Minha Vida tem ajudado bastante. Acredito que os próximos anos serão excelentes para o mercado imobiliário. Regiões como Parque Mosaico, Ponta Negra e Tarumã têm grande potencial. O sindicato é fundamental nesse processo, pois fomenta relações, fortalece empresas e articula com agentes financeiros. Se o mercado está neste patamar, o Sinduscon teve papel central nisso”, afirmou Marco.

Relação com demais setores

O presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Bruno Loureiro Pinheiro, ressaltou o papel estratégico do sindicato para o desenvolvimento econômico da região e que sua boa performance é indicador de desenvolvimento econômico e social.

“O Sinduscon-AM fomenta o desenvolvimento da construção civil, um dos segmentos que mais emprega no estado. O crescimento, a verticalização da cidade movimentam toda a economia: gera empregos, fortalece o comércio e atrai investimentos”, destacou Bruno Pinheiro.

O presidente da ACA ressaltou ainda a importância do trabalho em conjunto das entidades para solucionar problemas operacionais a fim de tornar o estado um polo industrial ainda maior.

“Participamos das reuniões do CODAM (Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas onde percebemos o grande volume de indústrias chegando ao Amazonas. Precisamos, agora, resolver a questão dos terrenos e do reordenamento do Distrito Industrial 4 para que novas empresas possam se instalar”, disse o presidente da ACA, que espera equacionar o problema com o apoio técnico do sindicato patronal.

Construnorte

A maior feira da construção da Região Norte, edição 2026, já começou a ser estruturada pelo Sinduscon-AM com a expectativa de superar a do ano passado, quando mais de 100 expositores apresentaram produtos e serviços ligados ao setor.

A grande novidade da feira será o espaço destinado a novas tecnologias construtivas, pesquisas de universidades sobre construções menos poluentes e eficientes, área para decoração de ambientes residenciais e comerciais assim como negociação de móveis modulados.

“Vamos lançar a terceira edição da Construnorte em julho. Já estamos comercializando estandes e firmando patrocínios. A expectativa é grande de superarmos a edição de 2025 quando registramos mais de 3.500 visitantes ao dia. Este ano vamos agregar novas especialidades, como a Casa Lar, voltada para comerciantes de produtos de reformas e decoração. Além disso, teremos construtoras, incorporadoras, indústrias e universidades que operam com produtos voltados para inovação e tecnologia”, adiantou José Carlos Paiva, vice-presidente do Sinduscon-AM.

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