
A sogra do governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), foi presa preventivamente nesta quinta-feira, em Goiânia, no âmbito da Operação Travessia, deflagrada pela Polícia Federal (PF). O governador e a esposa dele, Iara Netto Vilela, não são alvos da investigação.
Maria Helena de Sousa Netto Costa é suspeita de chefiar um dos cinco grupos investigados pela PF por promover a migração ilegal de brasileiros para os EUA. As organizações criminosas são acusadas de movimentar R$ 240 milhões entre 2018 a 2023. O grupo liderado por Maria Helena teria movimentado R$ 45 milhões no período.
De acordo com a Polícia Federal, a rede criminosa teria sido iniciada ainda em meados dos anos 2000. Apesar de cada grupo possuir estrutura própria e independente, a PF afirma que as organizações possuíam “mesma dinâmica transnacional” voltada à migração irregular. “As diligências também revelaram que os grupos atuavam de forma estruturada, organizando toda a logística da viagem, desde a saída do Brasil por via aérea até a passagem por países da América Central, especialmente México e Panamá, culminando na travessia irregular da fronteira terrestre em direção aos Estados Unidos”, concluiu a PF.
As apurações apontam que ao menos 477 brasileiros entraram ilegalmente nos EUA com apoio dos grupos investigados. A polícia acredita, no entanto, que o número de vítimas pode ultrapassar 600 pessoas.
Além da atuação em Goiás, os grupos ainda contavam com integrantes em outros estados e também no exterior, responsáveis por apoio logístico, recepção de migrantes e intermediação financeira das operações. Para mascarar o esquema e a origem ilícita do dinheiro, eram utilizadas empresas de fachada.
Além de Maria Helena, outras três pessoas foram presas em Goiânia por suspeita de envolvimento. A operação ainda cumpriu 11 mandados de busca e apreensão e 7 de prisão preventiva nos estados de Goiás e no Amapá. Dois investigados tiveram os nomes incluídos na lista de Difusão Vermelha da Interpol.
Em nota, o governador de Goiás negou qualquer relação com o caso. “O caso envolvendo a senhora Maria Helena de Souza Costa não tem absolutamente nenhuma relação com o governador Daniel Vilela e com sua mulher, Iara Netto Vilela. São fatos investigados desde meados dos anos 2000, segundo divulgou a própria Polícia Federal, e não envolvem em nenhum momento o governador ou o governo de Goiás”, afirmou.
Com informações de Metrópoles







